Conheça Alice Tosta, a goleira brasileira do Dragonas IDV
Alice foi campeã nacional e se prepara para disputar a Libertadores Feminina pela primeira vez
O título do Dragonas IDV (time feminino do Independiente del Valle) na Superliga Feminina do Equador teve sotaque brasileiro. Campeão nacional em 2026 e garantido na edição 2026 da Libertadores Feminina, o clube contou com três jogadoras do Brasil ao longo da temporada: Alice Tosta e Maví, que participaram da campanha do título, e Gabi Silva, que também defendeu a equipe neste ano. Para Alice, a conquista representa ainda o primeiro passo de um desafio inédito na carreira, já que a goleira disputará sua primeira Libertadores justamente depois de decidir deixar o futebol brasileiro em busca de novos desafios.
Aos 25 anos, Alice construiu sua trajetória no Brasil antes de atravessar a fronteira pela primeira vez em 2026. Formada na UDA, em Maceió, a goleira passou pelo Iranduba e ficou cinco temporadas no Red Bull Bragantino, onde acompanhou a evolução do projeto feminino do clube. No Equador, encontrou uma nova realidade, precisou se adaptar ao idioma, ao estilo de jogo e à rotina de outro país, mas rapidamente assumiu um papel importante no Dragonas e terminou a temporada com o título nacional.
A conquista também garantiu ao clube uma das duas vagas equatorianas na Libertadores Feminina de 2026, que será disputada no próprio país. A LDU, vice-campeã da Superliga, ficou com a outra vaga, enquanto o Dragonas chega à competição continental como campeão nacional e com a confiança de um elenco que já sabe o que é levantar uma taça na temporada.
Como Alice Tosta virou goleira
A escolha aconteceu ainda na adolescência, em Maceió. Alice frequentava uma escola de futebol e, inicialmente, jogava entre os meninos. Quando surgiu a necessidade de formar uma equipe feminina para uma competição, faltava uma goleira. Foi então que ela se ofereceu para assumir a função. “Não, eu vou treinar e eu vou no gol”, contou Alice, lembrando da decisão que mudaria o rumo da sua carreira.
O time não teve grande desempenho naquela competição, mas a atuação foi suficiente para chamar a atenção de treinadores de clubes tradicionais de Alagoas. Foi ali que Alice ouviu que tinha “uma estrelinha” que ainda iria brilhar. Aos 14 anos, escolheu a UDA, clube que já tinha papel importante na formação de jogadoras no estado.
“A UDA mora no meu coração. Eu sou muito grata por tudo. Até hoje ainda falo com algumas meninas que ainda estão lá e a gente sempre conversa e lembra das coisas que eu já vivi na UDA também.”
No clube, Alice começou a ganhar espaço e a enxergar possibilidades maiores para a carreira. A passagem pela UDA também abriu portas para as seleções brasileiras de base, incluindo a categoria sub-17, e ajudou a construir o caminho que a levaria para fora de Alagoas. Em 2019, ela chegou ao Iranduba, primeira equipe a oferecer a oportunidade de deixar o estado.
Foram cinco temporadas no Red Bull Bragantino, período em que acompanhou o crescimento do projeto feminino e participou da campanha que levou a equipe do acesso à elite do futebol brasileiro, além de conquistar o título da Série A2 antes de se despedir para buscar um novo desafio no futebol equatoriano.
Do sonho de jogar fora do Brasil ao título
Depois de cinco anos no Red Bull Bragantino, Alice entendeu que havia chegado o momento de buscar uma experiência diferente e conhecer uma nova realidade profissional, movimento que fazia parte de um desejo antigo da goleira.
“Eu sempre tive um sonho muito grande de jogar fora do Brasil. Eu acho que todo atleta deve viver isso, porque é um momento único, onde a gente pode evoluir e crescer e aprender muito, em todos os fatores, tanto pessoal como profissional”, contou.
A oportunidade apareceu por meio de Gustavo Pineda, treinador do Dragonas, e convenceu Alice justamente pelo tamanho do desafio. A goleira sabia que deixaria um ambiente conhecido para assumir uma nova responsabilidade em um clube de tradição no futebol equatoriano.
“Eu já vinha conversando junto com meus empresários que eu tinha uma vontade de viver algo diferente, até porque eu já estava cinco anos no Red Bull, então eu sentia que ali estava o momento de respirar novos ares, viver novas coisas, novos desafios”, explicou.
A adaptação ao Equador aconteceu de forma rápida, apesar da barreira inicial com o espanhol. Alice entendia parte do idioma por ter convivido com jogadoras estrangeiras no Brasil, mas ainda não falava espanhol quando chegou ao país, mas acolhimento das companheiras e do clube ajudou no processo, enquanto dentro de campo a goleira precisou se adaptar a uma preparação que, segundo ela, dá bastante peso ao aspecto físico.
“Aqui as minas são muito extremamente fortes. A gente faz muita academia, muito trabalho físico, as goleiras também correm, diferente do Brasil, a gente trabalha mais muito técnico ali concentrado. Aqui não. Fisicamente também as goleiras precisam estar bem. Então eu acho que a questão física é muito forte aqui”, descreve.
Desde o começo, porém, Alice sabia que a passagem pelo Equador precisava representar mais do que uma experiência internacional. O objetivo era aproveitar a oportunidade para crescer como atleta e, ao mesmo tempo, ajudar o Dragonas a buscar títulos. Antes mesmo de pensar na Libertadores, havia uma missão nacional pela frente.
“Desde que eu aceitei o desafio de vir para cá, eu queria sair para fazer história, para conseguir buscar o tricampeonato das Dragonas”, afirmou. Alice trabalhou para conquistar espaço, assumiu a titularidade e terminou a temporada nacional com o título. A conquista, no entanto, rapidamente abriu espaço para um desafio ainda maior, que já estava no horizonte do clube.
“Agora o nosso foco está na Libertadores”
A comemoração pelo título nacional durou pouco antes de o Dragonas começar a pensar na Libertadores. Alice conta que o presidente, o treinador e a comissão técnica conversaram com o elenco logo após a conquista e deixaram claro que o próximo objetivo seria a competição continental.
“Desde que a gente foi campeã, ali no vestiário mesmo, depois em conversa com o presidente, com o nosso treinador, com toda a comissão, eles falaram que agora o foco é na Libertadores”, relembra.
A goleira também destaca o significado de disputar a competição justamente pelo Equador, país que receberá a Libertadores Feminina em 2026 e terá dois representantes no torneio, com Dragonas e LDU classificados a partir da campanha na Superliga.“A gente tá no país da Libertadores, então a gente tem a oportunidade de poder fazer algo muito bonito para o país, para o clube”, projeta ela.
A preparação, de acordo com Alice, será marcada por muito trabalho e pela busca de maior entrosamento entre as jogadoras, já que o Dragonas terá pela frente adversários de diferentes países e estilos, em uma competição que representa um nível acima daquele encontrado no campeonato nacional. “Então, a gente vai trabalhar muito, vai estar cada vez mais juntas para que a gente possa conseguir conquistar grandes objetivos e quem sabe não ser campeã de Libertadores”, diz.
Além do desafio coletivo, a competição terá um significado particular para Alice, que disputará pela primeira vez a principal competição de clubes da América do Sul. Depois de conquistar o título nacional em sua primeira temporada no futebol equatoriano, a goleira vê a Libertadores como a oportunidade de dar continuidade ao projeto que a levou para fora do Brasil.
A equipe ainda não havia começado a estudar especificamente os possíveis adversários brasileiros (Corinthians, Cruzeiro e Palmeiras), mas Alice reconhece que a presença de clubes brasileiros aumenta o tamanho do desafio e que algumas companheiras do Dragonas já conhecem o nível do futebol do país por terem atuado no Brasil.
Mesmo sem ter iniciado uma preparação específica para cada adversário, a goleira sabe que o torneio colocará o Dragonas diante de um cenário diferente daquele encontrado na competição nacional e que a experiência acumulada durante a temporada será importante para a equipe, principalmente depois de conquistar o título e ganhar confiança para encarar o calendário continental.
Brasileiras lado a lado no Equador
A parceria com Maví, ex-Vasco, também se tornou parte importante da experiência de Alice no futebol equatoriano, especialmente pelo fato de as duas terem deixado o Brasil para viver o desafio de adaptação a outro país. Desde a chegada ao Dragonas, as brasileiras criaram uma relação de proximidade e passaram a se apoiar dentro e fora de campo, compartilhando não apenas a rotina do clube, mas também as dificuldades de começar uma vida nova longe de casa.
“A gente sabe que vir para outro país é muito difícil, a questão de adaptação, de tudo. Então, desde que eu cheguei aqui, a Mavi sempre foi muito aberta, a gente sempre conversou muito, a gente sempre se apoiou”, contou Alice.
A lesão de Maví interrompeu parte dessa trajetória ao longo da temporada, mas Alice acompanhou de perto o retorno da companheira e manteve a expectativa de contar com ela na disputa da Libertadores, o que tornaria ainda mais especial a possibilidade de as duas brasileiras dividirem novamente o campo em uma competição continental. “Infelizmente aconteceu a lesão da Mavi, mas graças a Deus ela já está voltando. Provavelmente a gente possa contar com ela para a Libertadores”, revela.
Para a goleira, a conquista do título nacional ganhou ainda mais significado por ser compartilhada com a amiga, que também vive um momento de retomada antes do principal desafio continental da temporada, e as duas passaram a celebrar juntas cada avanço vivido durante a temporada. “Então cada conquista minha dentro de campo e dela que está voltando é algo muito bom e muito importante pra gente. Então a gente vibra com tudo que a gente conquista”, finaliza.







