Carol Martins: “Vamos seguir mostrando o que o Bahia é e onde pode chegar”
Zagueira destaca estrutura, força da torcida e ambição do Bahia nas disputas do Brasileirão Feminino e da Copa do Brasil
Adjetivos como “surpreendente” e “inédito” começam a perder força quando se trata de Bahia. O que há pouco tempo parecia exceção virou parte da rotina do clube, que desde o ano passado vem quebrando marcas no Brasileirão Feminino e na Copa do Brasil, enquanto mantém a hegemonia no futebol estadual. A VEJA conversou com exclusividade com a zagueira Carol Martins para entender os bastidores do trabalho no clube, o impacto da estrutura e da torcida no dia a dia das jogadoras e como o elenco se prepara para a fase decisiva da temporada.
Em 20 jogos este ano, o Bahia soma 10 vitórias, seis empates e quatro derrotas, com 33 gols marcados e 22 sofridos. Nas quartas de final, o adversário é o Palmeiras: depois do jogo de ida, com empate por 1 a 1 na Fonte Nova, o confronto de volta será nesta sexta-feira (4), às 21h30, na Arena Barueri. Na Copa do Brasil, o Bahia também está entre os oito melhores e terá o São Paulo pela frente nas quartas de final.
O convite de Felipe Freitas e o novo desafio em Salvador
Aos 21 anos, Carol Martins vive no Bahia a primeira temporada como jogadora profissional. Nascida no Rio de Janeiro, ela passou pela base do Flamengo antes de receber a proposta para se mudar para Salvador, onde reencontrou Felipe Freitas, treinador com quem já havia trabalhado nas categorias de base. A familiaridade com o trabalho do técnico ajudou na adaptação, mas foi a identificação com o novo ambiente que fez a mudança se tornar mais natural.
“Eu já conhecia o Felipe quando ele trabalhou comigo na base lá no Flamengo, então para mim foi muito fácil porque eu já conhecia o trabalho dele e já sabia o que eu ia encontrar aqui”, contou.
Carol chegou ao Bahia em um momento de afirmação do futebol feminino do clube. Depois do acesso à primeira divisão em 2024, a equipe passou a disputar de igual para igual com adversários de maior investimento já no primeiro ano de Série A1 e avançou para as fases decisivas do Brasileirão e da Copa do Brasil, torneio em que terminou em terceiro colocado. Para a meia, o que acontece dentro de campo é consequência de um projeto que também tem oferecido condições para que as jogadoras trabalhem.
“O Bahia, o Grupo City, vêm apostando muito no futebol feminino e acho que a gente tem dado resultado também em campo. É só o começo”, afirmou. “A gente demonstrou muito a força do nosso grupo, o nosso potencial. Muita gente no início do ano desacreditava do Bahia, dizia que não ia chegar, e a gente está sempre mostrando o contrário”, completou.
Estrutura é destacada pela atleta
A estrutura é um dos pontos que ela destaca quando fala sobre o cotidiano no clube. No Centro de Treinamento, as jogadoras têm acesso a refeitório, academia, vestiário, auditório e espaços de descanso, além do suporte da comissão técnica. Na avaliação de Carol, esse conjunto interfere diretamente na rotina das atletas e facilita o trabalho.
“Todo mundo está sempre disposto a ajudar e a fazer o que for necessário para as coisas fluírem bem. Com a estrutura também do CT fica mais fácil. A gente tem tudo à disposição lá”, disse.
A adaptação a Salvador também passou por uma característica que aproxima a cidade de sua origem. Carol gosta de ir à praia e encontrou na rotina longe do Rio algumas referências que ajudaram a fazer da nova cidade um lugar mais familiar. A presença da família, que aproveita feriados e outras oportunidades para visitá-la, também diminuiu a distância de casa.
Carinho do torcedor com as Mulheres de Aço
Mas é a relação com a torcida que aparece com mais força quando ela descreve o que encontrou no Bahia. Carol conta que recebe mensagens de torcedores nas redes sociais e que o reconhecimento também acontece fora do futebol, em lugares como shoppings e mercados de Salvador. Para ela, existe uma diferença no modo como o torcedor baiano demonstra apoio. “Aqui na Bahia é realmente muito diferente o acolhimento dos torcedores”, afirmou.
Carol disputou jogos na Fonte Nova nesta temporada e considera a presença da torcida um elemento importante para o desempenho da equipe. O apoio, segundo ela, muda o ambiente das partidas e aumenta a disposição das jogadoras. “Quando a gente joga na Fonte Nova, a torcida está sempre presente. É sempre uma força a mais para continuar ali no jogo”, explicou.
O estádio também se tornou parte da maneira como Carol passou a compreender a dimensão do Bahia, com bons resultados obtidos diante de Palmeiras e Corinthians, por exemplo, e vê a presença do público como algo que pode ajudar o time nos confrontos decisivos. “Ajuda muito jogar na Fonte, com os torcedores perto. Eles estão sempre ali gritando, vibrando. Isso dá muito mais ânimo, vontade de correr”, disse ela. Na última segunda-feira (31), o Bahia empatou com o Palmeiras por 1 a 1 no jogo de ida das quartas de final do Brasileirão Feminino, na Fonte Nova.
Bahia pronto para mais
A jogadora também percebe no Bahia uma oportunidade de crescimento individual. Ao falar sobre o clube como possível vitrine para outros mercados, ela não separa o desenvolvimento pessoal do momento vivido pela equipe. Para Carol, quanto mais o Bahia se estabelece e compete em alto nível, mais as jogadoras podem ser observadas e criar novas possibilidades.
“Eu acho que juntou tudo, o Grupo City e o Bahia apostando na gente e a gente retribuindo. Quando tudo flui bem, você consegue se sobressair também no individual e abrir portas para outros clubes, outros lugares”, afirmou.
Para ela, o Bahia ainda tem espaço para avançar com a combinação entre investimento, estrutura, desempenho e proximidade com a torcida. E, enquanto o clube tenta transformar o crescimento em título nacional, ela entende que as jogadoras também têm a responsabilidade de sustentar o bom momento dentro de campo. “Eu acho que a gente vai continuar mostrando o que pode entregar e o que realmente o Bahia é e onde ele pode chegar.”







