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Usar cosméticos influenciado pelas redes sociais é mau negócio para a pele

Conclusão vem de estudo que mostrou maiores prejuízos à barreira cutânea e danos causados pela acne após uso sem indicação médica

Por Jade Cury, Daniel Cassiano e Sylvia Ypiranga* 21 ago 2026, 12h00 | Atualizado em 24 ago 2026, 11h54
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O consumo de cosméticos impulsionado pelas redes sociais parece fazer mais mal do que bem para a pele. Um estudo recente publicado no Journal of Cosmetic Dermatology mostrou que essa prática está fortemente associada a danos na barreira cutânea e ao agravamento da acne.

A compra de produtos influenciada pelas redes sociais correlacionou-se com danos à camada que protege a pele e uma maior prevalência de espinhas em comparação com as pessoas que não compraram esse tipo de cosmético.

Os danos à barreira cutânea aumentaram com o número de produtos utilizados, atingindo 77,8% entre os pacientes que usavam mais de cinco produtos. Devido ao delineamento do estudo, os resultados demonstram associações, e não causalidade.

Mas um dermocosmético não deve ser escolhido apenas porque funciona para outra pessoa ou porque determinado ativo está em alta nas mídias sociais.

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A barreira cutânea é uma estrutura dinâmica e pode ser alterada quando há uso excessivo ou combinado de produtos com potencial irritativo, especialmente quando a pessoa associa vários ácidos, retinoides, esfoliantes ou outros ativos sem considerar a frequência e a tolerância da própria pele.

Isso pode levar a ressecamento, ardor, descamação, vermelhidão e aumento da sensibilidade. Quanto maior o número de produtos e etapas incorporados à rotina, maior também pode ser a exposição cumulativa a substâncias potencialmente irritantes.

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No estudo, a plataforma e o tipo de conta foram importantes; o uso do TikTok e o seguimento exclusivo de influenciadores estiveram associados a maiores compras, atraso no atendimento médico e maior gravidade dos sintomas, enquanto seguir dermatologistas teve um efeito protetor.

Ou seja, a produção de conteúdo baseada em evidências por dermatologistas nas plataformas de redes sociais pode contribuir positivamente para o processo de cuidado ao paciente.

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O trabalho incluiu 408 pacientes com idades entre 12 e 45 anos que compareceram a uma clínica dermatológica ambulatorial. A idade média foi de 20,9 anos e 77,5% dos participantes eram do sexo feminino.

Um dos principais problemas de seguir exclusivamente recomendações encontradas nas redes sociais é que isso pode dar ao paciente a falsa impressão de que problemas como a acne podem ser controlados indefinidamente com produtos cosméticos.

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Enquanto ele testa diferentes combinações e espera resultados, a doença pode continuar evoluindo. O atraso na avaliação dermatológica é especialmente preocupante porque a acne não é apenas uma questão estética: dependendo da gravidade e do tempo de evolução, ela pode deixar cicatrizes permanentes e também causar impactos importantes na autoestima e na qualidade de vida.

Por isso, é fundamental que a prescrição de um dermocosmético seja realizada por um dermatologista. Essa prescrição começa muito antes da indicação de um produto.

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O especialista avalia o diagnóstico e o objetivo do tratamento, além de observar características da pele. Também considera tratamentos que o paciente já utiliza, frequência de aplicação e tolerância individual. A partir dessa análise, é possível selecionar o ativo, a concentração, a formulação e a frequência de uso mais adequados para aquela pele.

Essa individualização é importante porque um produto eficaz em uma pessoa pode ser inadequado para outra, e até um ativo com boa evidência de funcionamento pode causar irritação quando utilizado de maneira incorreta.

* Jade Cury é dermatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP); Daniel Cassiano é dermatologista e diretor da SBD-RESP; e Sylvia Ypiranga é dermatologista e diretora da SBD-RESP

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