Lipoaspiração vai além da estética e se destaca na luta contra o lipedema
Estudo reforça procedimento como superior ao tratamento conservador na redução da dor nas pernas e na melhora da qualidade de vida
Apesar de a todo momento surgirem protocolos e dietas específicas para o lipedema, a ciência vem demonstrando que o controle da doença, principalmente no que se refere ao desconforto e à dor, é mais eficiente quando a paciente é submetida à lipoaspiração redutora da condição.
Um estudo recente publicado no periódico The Lancet mostrou que a lipoaspiração é superior ao tratamento conservador em pacientes com lipedema, considerando a redução relevante da dor com segurança razoável.
Quando falamos em lipoaspiração para o lipedema, o objetivo é, por meio da cirurgia, remover grande parte do tecido gorduroso doente, melhorar a mobilidade, reduzir a dor e frear significativamente a progressão do quadro, cujo avanço pode significar inclusive problemas osteoarticulares.
A terapia conservadora inclui compressão, drenagem linfática manual, atividade física e cuidados com a alimentação e a pele. Ela demonstrou reduzir o edema, mas tem efeitos limitados sobre a dor, o principal sintoma do lipedema, e não consegue impedir a progressão da doença.
O estudo é um ensaio clínico multicêntrico, randomizado e controlado, realizado em 11 centros alemães, com 1973 mulheres elegíveis com lipedema em estágio I, II ou III e dor nas pernas de pelo menos quatro pontos em uma escala numérica de 0 a 10.
Elas receberam terapia conservadora por até sete meses e, em seguida, 410 mulheres do grupo foram randomizadas para lipoaspiração ou terapia conservadora (2:1), estratificadas por estágio do lipedema e centro de estudo.
Após 12 meses, 68% das 278 pacientes aleatoriamente designadas para lipoaspiração atingiram o objetivo primário de redução da dor, em comparação com dez (8%) das 132 pacientes aleatoriamente designadas para terapia conservadora.
O estudo comparou cirurgia com tratamento conservador, mas é importante ficar claro que eles não são excludentes: o tratamento conservador é a base para tratar a doença.
Diferentemente de uma lipoaspiração convencional com finalidade exclusivamente estética, a cirurgia para lipedema tem objetivos terapêuticos, como redução da dor e da sobrecarga mecânica sobre as articulações e melhora da circulação local.
Além disso, técnicas modernas, como a Lipedefinition, associam o tratamento da doença à remodelação corporal, na medida em que trata também o contorno corporal, respeitando as características da doença.
A paciente costuma experimentar uma transformação importante não apenas na aparência, mas principalmente na funcionalidade. Muitas voltam a caminhar melhor, praticar exercícios com menos limitações e relatam redução significativa do desconforto que sentiam diariamente.
Como esperado, ocorreram mais eventos adversos no grupo da lipoaspiração, que, como toda cirurgia, tem um risco, mas a maioria foi de intensidade leve a moderada. Além disso, não houve eventos inesperados ou com risco de vida. Esses resultados elevam substancialmente o nível de evidência para os tratamentos do lipedema e ajudam na luta para devolver qualidade de vida para as pacientes.
*Rafael Erthal é cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica Estética (BAPS)





