🔥 Mês do Cliente: Receba 4 Revistas Impressas por apenas R$ 35,90/mês. Aproveite!
Imagem Blog

Letra de Médico

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil

Câncer de ovário: os exames que estão redefinindo o tratamento

Para esta doença, o futuro do cuidado depende justamente da integração entre patologia, oncologia e biologia molecular

Por Louise De Brot* 20 jul 2026, 12h00 | Atualizado em 20 jul 2026, 15h28
Câncer de ovário: os exames que estão redefinindo o tratamento Priorizar nos meus resultados Google

O câncer de ovário ilustra como a medicina deixou de enxergar o câncer apenas pelo órgão onde ele surge e passou a olhar para a biologia de cada tumor. Durante décadas, o câncer de ovário foi tratado quase como uma única doença. Mulheres com diagnósticos semelhantes recebiam terapias parecidas, apesar de apresentarem tumores biologicamente distintos.

Hoje, a medicina de precisão mudou esse cenário. O avanço da genômica e dos biomarcadores transformou a forma de entender a doença e abriu caminho para tratamentos cada vez mais personalizados.

Uma das grandes mudanças foi compreender que o câncer de ovário não constitui uma entidade única. Estudos como o The Cancer Genome Atlas (TCGA) demonstraram que tumores aparentemente semelhantes ao microscópio podem apresentar alterações genéticas completamente diferentes, com impacto direto na resposta terapêutica.

A caracterização morfológica clássica continua sendo o primeiro passo essencial, pois é a partir dela que se define o subtipo histológico e se orienta toda a investigação molecular subsequente.

Continua após a publicidade

Por trás dessa transformação está um profissional que deixou de atuar apenas nos bastidores: o patologista. Tradicionalmente associado apenas à confirmação diagnóstica, esse especialista hoje exerce papel decisivo na medicina de precisão. É o patologista quem avalia a qualidade da amostra tumoral, define o subtipo histológico, seleciona o material adequado para os testes moleculares e integra informações morfológicas, imuno-histoquímicas e genéticas em um laudo capaz de direcionar a escolha terapêutica.

Na prática, isso significa que o laudo anatomopatológico deixou de ser apenas descritivo. Ele passou a reunir informações acionáveis, fundamentais para a decisão clínica.

Continua após a publicidade

Diretrizes internacionais atualmente recomendam a avaliação de biomarcadores em pacientes com câncer epitelial de ovário, considerando não apenas seu impacto na seleção de tratamentos mais personalizados, mas também as implicações para a identificação de risco hereditário e o aconselhamento de familiares.

Sua identificação depende da adequada seleção, coleta e preparo do material, bem como da avaliação da qualidade do tecido analisado. Essas etapas são fundamentais para a confiabilidade dos testes moleculares e contam com atuação central do patologista na escolha e validação da amostra que será utilizada para a análise dos biomarcadores.

Continua após a publicidade

A incorporação desses biomarcadores revolucionou o tratamento do câncer de ovário ao permitir terapias direcionadas, desenvolvidas para atuar em alterações específicas do tumor.

Pacientes com mutações em BRCA1/2 ou deficiência de recombinação homóloga (HRD), por exemplo, passaram a se beneficiar dos inibidores de PARP, medicamentos que mudaram o cenário da doença avançada ao prolongar significativamente o controle tumoral.

Continua após a publicidade

Mais recentemente, a expressão do receptor de folato alfa (FRα) abriu caminho para novas estratégias terapêuticas levando ao desenvolvimento de um anticorpo droga-conjugado que mostrou benefício clínico em pacientes com câncer de ovário resistente à platina e  com alta expressão de FRα (igual ou superior a 75%), reforçando o valor dos biomarcadores e a necessidade de testes adequadamente interpretados.

No câncer de ovário, o futuro do cuidado depende justamente dessa integração entre patologia, oncologia e biologia molecular. Da qualidade da amostra coletada à interpretação dos testes moleculares, cada etapa influencia a possibilidade de oferecer terapias mais eficazes e personalizadas.

Continua após a publicidade

Em outras palavras, não existe oncologia de precisão sem patologia de precisão. E quem mais se beneficia desse avanço é a paciente, que passa a ter uma jornada diagnóstica e terapêutica cada vez mais individualizada e assertiva.

*Louise De Brot é líder do departamento de Anatomia Patológica do Hospital A.C.Camargo Cancer Center

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em verde-limão O MÊS É DO CLIENTE. e em branco A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua.. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos, e ao lado, uma árvore estilizada em verde-limãoMão segurando um smartphone com aplicativo de notícias exibindo manchetes e produtos, ao lado do texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua em fundo verde-escuro, com um ícone de árvore no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).