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Aumento de mortes femininas por doenças cardíacas preocupa

Levantamento da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo aponta que a cada 12 minutos uma mulher morre infartada no Brasil

Por Ieda Jatene Atualizado em 6 jun 2022, 19h53 - Publicado em 6 jun 2022, 16h54

Não existe igualdade entre os sexos. Pelo menos não quando o tema são os riscos para doenças cardiovasculares (DCVs). Além daqueles fatores que ambos acumulam em doses de igualdade, as mulheres saem na frente porque são mais propensas à obesidade e ao sedentarismo, principalmente depois da menopausa, e problemas que podem aparecer na gestação: pré-eclâmpsia, eclâmpsia e diabetes gestacional.

Um estudo com 3.302 mulheres de várias raças realizado pelo SWAN (Study of Women’s Health Across the Nation) comprovou aumento acelerado da pressão arterial (PA) no primeiro ano após a menopausa, indicando a contribuição da condição hormonal para a hipertensão. Outro agravante é que patologias do trato mental, como depressão, tendem a impactar negativamente o sistema cardiovascular feminino, mais do que acontece com os homens.

Levantamento da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) aponta que a cada 12 minutos uma mulher morre infartada no Brasil. Já o acidente vascular cerebral (AVC) faz sua vítima de 11 em 11 minutos. As doenças do aparelho circulatório são responsáveis por mais de 170 mil mortes femininas no país. Só no estado paulista são mais de 40 mil anuais. As DCVs nas mulheres superam em mais de duas vezes o número de óbitos por todos os tipos de câncer ao ano.

Há cerca de 60 anos as doenças cardiovasculares matavam nove homens para cada mulher. Atualmente já temos uma equiparação nada desejável de quase um para uma.

De acordo com a revista médica The Lancet do Reino Unido, essas patologias são a principal causa de morte de mulheres no mundo, respondendo por 35% do total anual.

Vale lembrar que, diferentemente do que acontecia há cerca de uma década, a representação de mulheres em estudos clínicos que respaldam as estatísticas sobre insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana e síndrome coronariana aguda melhorou muito, com média de 38,2%, principalmente nos casos de AVC e insuficiência cardíaca. Apesar de ainda não ser o percentual ideal, o fato faz com que os dados coletados tenham legitimidade.

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Conscientização

Para colaborar perenemente com a mobilização de conscientização, desde 2020 mantemos na Socesp o Socesp Mulher, grupo que promove ações voltadas a cardiologistas e profissionais de saúde sobre aspectos comportamentais. A atuação se baseia em levar informação de qualidade ressaltando, principalmente, a importância do bem-estar, tão essencial ao coração.

No site da Socesp existe uma página específica sobre coração feminino para orientar o público. O primeiro passo é sempre impactar, deixando claro que mulheres também morrem de infarto, AVC e podem se transformar em cardiopatas se não evitarem os fatores de risco. Isso porque ainda convivemos com a ideia de que as DCVs são doenças masculinas, o que passa muito longe da realidade.

Pensando nisso, a edição 2022 do Congresso de Cardiologia da Socesp – que acontece em junho, no Transamérica Expo Center, em São Paulo – dedicará uma manhã de sua programação exclusivamente ao debate da saúde cardiovascular feminina, em um seminário com a participação de cardiologistas, ginecologistas e obstetras.

Artigo escrito em colaboração com Maria Cristina Izar, cardiologista, diretora secretária da  Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) e professora livre-docente da Disciplina de Cardiologia da Universidade Federal de São Paulo.

Letra de Médico - Ieda Jatene
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