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A doença que afasta mais de 50 mil trabalhadores por ano de seus empregos

Trata-se da hérnia inguinal, quadro resolvido com cirurgia que, se não for tratado, pode causar complicações e impactar a rotina

Por Margareth Fernandes* 1 jul 2024, 07h00 | Atualizado em 1 jul 2024, 09h16
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A hérnia inguinal afastou 51 856 profissionais de seus postos de trabalho somente em 2023, de acordo com o Ministério da Previdência Social (MPS). O problema reforça a importância de incentivar os trabalhadores a realizar acompanhamento médico, a usar equipamentos de proteção individual (EPIs) e a realizar exercícios físicos para fortalecimento muscular na região do abdômen.

A doença traz prejuízos à vida pessoal e ao mercado de trabalho brasileiro, pois, em geral, orienta-se que os colaboradores deixem de realizar suas atividades de rotina por no mínimo um mês após o procedimento cirúrgico, o tratamento padrão.

A hérnia inguinal ocorre quando a musculatura abdominal da região da virilha se rompe e o espaço é preenchido por órgãos internos próximos, como intestino e bexiga ou pela gordura do abdômen. O problema é consequência do enfraquecimento muscular, que pode ser causado por esforço excessivo em atividades físicas e na hora de defecar ou urinar, tosse crônica – comum entre fumantes – e obesidade. Condições genéticas também podem facilitar o rompimento do músculo.

O problema geralmente é identificado pelo próprio individuo, pois surge um volume arredondado, o abaulamento, na região da virilha. Já o diagnóstico médico é feito a partir de exames físicos e de imagem (ultrassonografia e tomografia). O problema causa dor e queimação na área afetada, além de desconforto no períneo ou no escroto em alguns casos.

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Precisam de atenção especial os profissionais que trabalham com atividades de alto impacto, ou seja, que carregam peso constantemente e percorrem longas distâncias. Esses trabalhadores têm mais propensão a desenvolver o quadro; por isso, é essencial que se incentive o uso de EPIs para diminuir o impacto da carga que carregam, além da realização de pausas regulares para descanso e de exercícios de fortalecimento muscular.

Caso sejam fumantes, recomenda-se parar de fumar. Quando estão com obesidade, orienta-se a perda de peso. 

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É importante lembrar que a hérnia inguinal é um problema progressivo. Então, caso os fatores de riscos permaneçam, mais o abaulamento na virilha aumentará. Existe também o perigo de o órgão ou a gordura estrangular, isto é, interromper a circulação de sangue no local e o tecido necrosar.

O tratamento da hérnia inguinal pode envolver manobra mecânica realizada em ambulatório para devolver o tecido à região a qual pertence ou com cirurgia. No Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo, houve aumento de 115,3% dos procedimentos cirúrgicos relacionados a essa doença.

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De acordo com o Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informações Hospitalares e Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SUS), em 2024, foram realizadas 46.934 internações relacionadas à hernia inguinal entre janeiro e março. O ministério indica também que, entre janeiro de 2019 e março de 2024, foram 724 250 internações realizadas por esse motivo no país.

Durante a recuperação do procedimento, é indicado evitar atividades de alto impacto por 60 dias e as de baixo impacto por um mês.

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A hérnia inguinal pode ocorrer novamente se a causa não for identificada e tratada. O problema é silencioso e apresenta sintomas quando exige intervenção médica.

Por isso, é essencial incentivar e facilitar cada vez mais o uso de EPIs, o acesso à assistência médica, a boa alimentação, a prática de atividades física assistida em espaços adequados e o combate ao tabagismo. Caso contrário, a doença continuará a afastar profissionais de suas atividades laborais, prejudicando rotinas e o mercado de trabalho.

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* Margareth Fernandes é cirurgiã e diretora do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo

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