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Professor, advogado e militante do movimento negro, ele é o reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, instituição pioneira de ensino no Brasil que ajudou a fundar em 2004.
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O embate entre a luz e as trevas nas eleições

Pleito se transformou num embate que remete a um choque de civilizações, que opõe de um lado a razão possível e do outro a insanidade

Por José Vicente Atualizado em 30 set 2022, 15h03 - Publicado em 30 set 2022, 15h01

As eleições para presidente da República que deveriam ser feitas com debates de ideias de forma a ajudar os brasileiros na escolha das melhores propostas de solução para os seríssimos problemas do pais e, consequentemente, do candidato mais habilitado e competente para executá-las, infelizmente se transformou num embate que remete a um choque de civilizações, que opõe de um lado a razão possível e do outro a insanidade.

Para um país afundado em desafios sobre-humanos, tudo que o governo Bolsonaro propõe é o vilipêndio e o ataque às instituições e à institucionalidade da Presidência da República, além da hostilização contra os que pensam o mundo diferente, incluindo a agressão aos adversários políticos e a ofensa e o desrespeito às mulheres e minorias.

Avesso por natureza ao diálogo com forças políticas e sociais e incapaz de construir consensos à mesa, esse verdadeiro governo do destempero tem apostado e promovido a divisão entre religiões e religiosos, tem incentivado o armamento e a beligerância entre os indivíduos, promovido o desvalor pela vida e integridade das pessoas, a negação da ciência e do conhecimento, o abandono da Amazônia e do meio ambiente. Tudo isso, embalado por uma delirante e farsesca caça às bruxas dos comunistas e do comunismo nas universidades públicas, pela ojeriza às ações afirmativas e ao combate às desigualdades raciais, por um discurso racista e discriminatório contra os negros e os índios.

Em palavras claras: um governo do atraso, da discórdia; um governo das trevas e da destruição. Todos podem e devem se levantar para fazer cessar esse verdadeiro desfile de insanidade, todos podem impedir que a história se repita duas vezes como fraude. Mas os negros brasileiros têm um milhão de motivos adicionais para isso. Foi com o presidente Lula que os negros pela primeira vez na história tiveram um ministério para cuidar da sua agenda, chegaram aos cargos de prestigio na política, nos ministérios e no serviço público; chegaram ao Supremo Tribunal Federal. Foi com o presidente Lula que os negros lotaram aos borbotões os bancos das universidades públicas através da política de cotas. Foi com o presidente Lula que os países africanos foram tratados com dignidade os negros brasileiros foram verdadeiramente respeitados como cidadãos.

Consideremos que o gesto vale mais do que mil palavras. Convidado a visitar um quilombo, Bolsonaro afirmou que os negros quilombolas pesavam mais de sete arrobas e não serviam nem para procriar. O presidente Lula convidado como patrono da primeira turma de formandos da Universidade negra Zumbi dos Palmares, em São Paulo, veio com a esposa, dez ministros do seu governo, fez o discurso de encerramento à meia-noite e meia e festejou e celebrou com o público e os formandos até altas horas da madrugada. Se for verdade que um homem se mede pelo ato, Lula é a única salvação para os negros contra um novo governo e um candidato das trevas.

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