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Informação e análise

Tarifaço de Trump contra o Brasil ajudou a aumentar a aprovação de Lula

“O Brasil se negou a mudar as políticas e práticas”, alega chefe de agência de defesa comercial dos EUA

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jul 2026, 08h00 | Atualizado em 23 jul 2026, 13h35
Tarifaço de Trump contra o Brasil ajudou a aumentar a aprovação de Lula Priorizar nos meus resultados Google

Jamieson Greer, chefe da agência de defesa comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), apresentou à Comissão de Finanças do Senado americano a sua versão para o novo tarifaço (de 25%) sobre as exportações brasileiras.

Não houve surpresa: para Greer, o Brasil é culpado por estar sendo sobretaxado. “Apesar dos esforços durante mais de um ano para resolver os problemas através da negociação” — alegou — “o Brasil se negou a mudar as políticas e práticas que prejudicam os trabalhadores, agricultores e empresas dos EUA”.

As tarifas impostas a partir desta quarta-feira (22/7), comentou, se justificam como resposta a uma série de atos comerciais contrários aos interesses dos Estados Unidos.

Listou situações que a agência de defesa comercial considera motivadoras de punições ao Brasil: “A imposição de barreiras tarifárias injustas às exportações americanas, caso do etanol; (os prejuízos aos) objetivos das empresas tecnológicas americanas; o desmatamento ilegal na Amazônia para fazer com que as exportações brasileiras sejam mais competitivas; e, a leniência na aplicação de leis anticorrupção.”

São razões amplas e genéricas o suficiente para abranger tanto os desequilíbrios pontuais na relação comercial entre os dois países, que é marcada por superávit constante dos Estados Unidos, como também para legitimar a reconstrução do muro de tarifas para produtos de mais de 60 países, entre eles o Brasil.

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Donald Trump ergueu essa muralha comercial no ano passado, com claros objetivos de aumento de arrecadação. A Suprema Corte derrubou por julgar ilegítima a base jurídica utilizada pela Casa Branca. Greer estabeleceu como prioridade a reconstrução desse paredão tarifário. Uma medida do seu êxito é o aval de Trump à autonomia crescente em relação ao secretário de Comércio Howard Lutnick.

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(./VEJA)

No caso brasileiro, há notável ênfase em aspectos políticos. Greer, por exemplo, sentiu-se incomodado com a rigidez da diplomacia brasileira nas negociações. E Trump, desde o começo, fez questão de vincular as punições comerciais ao Brasil a exigências de proteção política do aliado local, Jair Bolsonaro. Deu errado. Bolsonaro acabou condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes contra a Constituição, entre eles tentativa de golpe de estado.

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Poderia ser apenas uma disputa comercial, mas o governo Trump tem feito questão de usar o tarifaço para interferência indevida na temporada eleitoral brasileira, a favor de Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à presidência da República.

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(./VEJA)

Ano passado, ele apoiou as sanções dos EUA ao Brasil. No início deste mês foi a uma audiência pública do USTR, em Washington. Não protestou contra novas tarifas a produtos brasileiros, limitou-se a um pedido insólito: adiamento da aplicação das novas tarifas para depois das eleições presidenciais brasileiras.

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Até agora, o efeito foi contrário ao planejado: a ofensiva de Trump contra o Brasil tem ajudado a aumentar aprovação de Lula, que está em campanha pela reeleição. É o que mostra pesquisa do PoderData, do portal Poder 360.

Prevê-se mais um tarifaço (de até 12,5%). Na audiência no Senado, Greer confirmou que logo será divulgada a “resposta final” da agência ao “fracasso dos nossos 60 principais sócios comerciais” na repressão ao comércio de produtos derivados de trabalhos forçados. O Brasil continua no alvo.

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