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Informação e análise

Sem provas, Flávio Bolsonaro ataca sistema eleitoral com boatos antigos

Candidato do PL volta a semear dúvidas sobre as urnas eletrônicas, replicando estratégia que deixou o pai derrotado e inelegível

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jul 2026, 08h00 | Atualizado em 22 jul 2026, 23h54
Sem provas, Flávio Bolsonaro ataca sistema eleitoral com boatos antigos Priorizar nos meus resultados Google

Flávio Bolsonaro resolveu repetir o roteiro do pai, que atravessou boa parte da sua frustrada campanha de reeleição de 2022 instigando desconfiança no sistema de votação e apuração de resultados.

O candidato do Partido Liberal à presidência da República reuniu diplomatas para lançar suspeitas sobre a integridade do processo eleitoral. Como o pai, ele sabia o que estava fazendo.

Jair Bolsonaro nunca apresentou provas de fraudes nas urnas eletrônicas. Mas, também, nunca contestou suas sucessivas eleições pelo mesmo sistema, desde a década de 90 do século passado.

Na segunda-feira 18 de julho de 2022, o então presidente Bolsonaro escolheu produzir provas contra ele mesmo. Reuniu embaixadores no Palácio da Alvorada e fez um longo discurso, transmitido pela rede estatal de rádio e televisão, sobre supostas vulnerabilidades do processo eleitoral a “fraudes e invasões” nas urnas. Como sempre, sem provas.

Era um compilado de alegações cuja falsidade já vinha sendo demonstrada pela Justiça Eleitoral há meses, e, em 2023, motivou a primeira condenação de Bolsonaro. Ficou inelegível até 2030 por “abuso de poder” na presidência. Esse prazo foi ampliado no ano passado com a sentença de 27 anos e três meses de prisão por crimes contra a Constituição, entre eles, tentativa de golpe de estado.

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Nesta terça-feira (22/7), Flávio Bolsonaro sabia o que estava fazendo ao incitar desconfiança no processo eleitoral. Não houve coincidência, completaram-se dois anos do comício do pai no Alvorada atacando o sistema de votação.

Ele disse a diplomatas que as urnas eletrônicas brasileiras são de uma empresa venezuelana (Smartmatic). E que um relatório da CIA provaria que ela esteve envolvida num plano de fraude eleitoral do antigo ditador da Venezuela Nicolás Maduro, que está sendo julgado por narcotráfico num tribunal de Nova York.

“Só para deixar registrado”, comentou, “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa.” Prosseguiu: “Há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela, inclusive utilizando uma documentação do próprio serviço de inteligência americano, a CIA, apontando sobre a possibilidade de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação.”

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Há seis anos, a Justiça Eleitoral desmente o uso de urnas eletrônicas dessa empresa. Duas semanas atrás, na quarta-feira 8 de julho, repetiu em nota pública: “São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país.”

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(./Reprodução)

O candidato Flávio Bolsonaro pode alegar tudo nesse caso, menos inocência. Em 2019, ele e Jair Bolsonaro estimularam o delegado federal Alexandre Ramagem, na época diretor da agência de espionagem (Abin), a investigar o caso.

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Houve uma reunião na agência e dela saiu uma listagem de suspeitas num longo memorando interno. Nele foi mencionada a participação da Smartmatic no consórcio vencedor de licitação para treinamento de técnicos nas eleições de 2012.

O documento (nº 0004/91200/Abin/GSIPR) ressalva: “(Essa licitação) foi utilizada como base para denúncias de que o Brasil utilizaria as mesmas urnas utilizadas pelo governo venezuelano, alvo constante de denúncias de fraudes em eleições, já que a empresa Smartmatic envolveu-se na organização das eleições naquele país.”

Em 2022, o Partido Liberal usou dinheiro público para financiar um “laudo técnico” sobre supostas vulnerabilidades a fraudes de algumas urnas eletrônicas. O parecer foi manipulado, segundo provas periciais.

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Mesmo assim, o PL pediu recontagem de votos em determinadas urnas. Porém, limitou-se a questionar a eleição presidencial, embora as mesmas urnas tenham sido usadas na votação que deu ao partido a maior bancada no Congresso.

A Justiça Eleitoral rejeitou. Na sequência, multou o partido de Bolsonaro em 22 milhões de reais. E justificou a punição: “Litigância de má fé.”

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