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José Casado Por José Casado Informação e análise

Se foi bom para Bolsonaro, melhor ainda foi para Valdemar

Não se conhece o acordo financeiro da campanha, mas se a bancada na Câmara crescer 60% — antes da eleição —, o caixa do PL deve aumentar para R$ 184 milhões

Por José Casado Atualizado em 1 dez 2021, 03h53 - Publicado em 1 dez 2021, 08h00

Se foi bom para Jair Bolsonaro se filiar ao Partido Liberal, melhor ainda foi para Valdemar Costa Neto, dono do PL.

Ambos coincidem na previsão de uma grande expansão do partido nos próximos seis meses dentro do Congresso e, também, do governo.

A bancada na Câmara deve aumentar dos atuais 42 deputados para 60, na estimativa mais conservadora dos dirigentes do PL, por efeito da migração estimulada por Bolsonaro. Se confirmado o aumento, disputaria posição majoritária no plenário com o União Brasil, resultante da fusão do PSL com o DEM.

Até ontem, o partido de Costa Neto tinha quatro senadores. A partir de hoje, com o ingresso de um dos filhos do presidente, Flavio, passa a ter cinco das 81 cadeiras. Agora, são do PL os três senadores do Rio, a base eleitoral de Bolsonaro.

A expansão prevista na Câmara tende a transformá-lo no maior partido do Centrão, o esteio parlamentar do governo, onde está associado ao PP de Arthur Lira, presidente da Câmara, e ao Republicanos, vinculado ao grupo neopentecostal Universal.

Será uma base relevante para a campanha eleitoral do próximo ano, tanto para Bolsonaro quanto para o Partido Liberal. O candidato à reeleição ganhou a chance de arbitrar composições no Rio, em São Paulo e em Minas Gerais: “Quero deixar bem claro que eu e Valdemar não seremos as pessoas que vão decidir tudo sozinho” — disse ontem aos dirigentes regionais. “Em grande parte, vai passar por vocês. Queremos compor.”

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Na plateia convocada para assistir o ato de filiação, num auditório em Brasília, um chefe estadual do Partido Liberal escutava o breve discurso presidencial, enquanto usava a calculadora do telefone. “É muito provável chegar à convenção de junho [para formalizar a candidatura de Bolsonaro] com quase o dobro do caixa que se previa no primeiro semestre” — contou depois.

Com o número atual de deputados (42) — explicou — o partido teria no próximo ano aproximadamente R$ 115 milhões em fundos eleitoral e partidário. Se houver crescimento de 60% na bancada, nos próximos seis meses, o caixa administrado por Costa Neto deve aumentar para R$ 184 milhões.

Não se sabe o que Bolsonaro e Costa Neto combinaram sobre as finanças da campanha de reeleição dele e de um dos filhos, o deputado Eduardo (PSL), que deve migrar para o PL em São Paulo. Mas dirigentes do partido acreditam que o “passe” do clã Bolsonaro deverá ter um custo milionário em recursos dos fundos eleitoral e partidário.

São recursos do Orçamento da União que compõem o mosaico financeiro de campanha, junto com gastos governamentais em emendas parlamentares e programas ajustados para a campanha — como o futuro Auxílio Brasil (substituto do Bolsa Família) e o vale-gás, projetados com a a função de mitigar o impacto da inflação que o governo não consegue controlar no bolso da maioria pobre do eleitorado.

Em contrapartida, Costa Neto vai ganhar novas posições no ministério — na reforma prevista para março —, onde já controla a Secretaria de Governo, e em áreas-chave de empresas estatais, sobretudo no segmento de Transportes, onde o PL esteve dominante nos governos Lula e Dilma Rousseff.

Seus sócios no Centrão, também, devem avançar. “Nenhum partido será esquecido”, avisou Bolsonaro, “pois queremos compor nos estados”. Agora no Centrão, disse tocando o ombro de Lira, do PP, ele se sente “em casa”.

Continuam juntos no lugar de onde nunca saíram, agora com mais ambição de poder.

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