Pesquisa mostra o ritmo de desidratação eleitoral de Flávio Bolsonaro
Quase metade dos eleitores diz temer eventual governo do candidato do Partido Liberal mais do que uma possível reeleição de Lula
Vive um drama o candidato do Partido Liberal à presidência da República.
Em dezembro, o senador Flávio Bolsonaro se apresentou como representante do pai, Jair, ex-presidente que está inelegível e condenado à prisão até o ano de 2.053 por crimes contra a Constituição, entre eles tentativa de golpe de estado.
O único ativo do senador Bolsonaro na disputa presidencial era o sobrenome. Seis meses depois, continua sendo. A candidatura à presidência, porém, enfrenta dificuldades crescentes.
Desde maio, perde fôlego nas pesquisas, como a da AtlasIntel/Bloomberg divulgada ontem. Disputava preferência eleitoral com Lula.
Se mantém na segunda posição, mas despencou para um patamar bem inferior ao do presidente-candidato, que lidera com média de dez pontos de vantagem.
O declínio começou com a revelação, em maio, de que o candidato Flávio Bolsonaro pediu e ganhou dinheiro (61 milhões de reais) do antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras bilionárias.
Se agravou numa crise familiar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em público, ela disse se sentir continuamente desrespeitada, maltratada e humilhada pelo candidato do PL à presidência da República.
Flávio Bolsonaro ultrapassou Lula em rejeição eleitoral, basicamente sustentada pelo eleitorado feminino. Ele assumiu a liderança no repúdio das mulheres, com média de oito pontos a mais do que Lula.
No mês passado se consolidou na posição de candidato mais temido, isto é, aquele cuja possibilidade de eleição deixa o eleitorado com mais medo ou preocupação.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra que a maioria (48,4%) dos eleitores agora diz temer um eventual governo Flávio Bolsonaro mais do que uma possível reeleição de Lula (42,4%).
Até abril estavam empatados. Em junho, houve um descolamento. O candidato do PL passou à frente, com seis pontos percentuais de diferença.
É um processo de desidratação eleitoral em ritmo significativo. E faltam apenas três meses para a primeira rodada de votação.







