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José Casado Por José Casado Informação e análise

Perversidade à brasileira

Quanto menor o ganho, maior o peso do imposto. Quanto maior a renda, menor a tributação

Por José Casado Atualizado em 13 jan 2022, 03h53 - Publicado em 12 jan 2022, 09h00

O salário mínimo vai subir 10%, para R$ 1.212,00 mensais. É a fonte de renda básica de nove milhões de trabalhadores na ativa. Esses estão isentos do Imposto de Renda neste ano. 

O governo começa a garfar a partir de R$ 1.903,98, informa a Unafisco. Significa que trabalhador com renda de dois salários mínimos (R$ 2.424) vai pagar imposto. 

Isso porque a faixa de isenção tributária está congelada há sete anos, desde o primeiro mandato de Dilma Rousseff. É ótimo negócio para o governo, que se apropria da diferença em relação à inflação. 

Em 2018, o candidato Jair Bolsonaro prometeu revisão para aumentar a isenção para cinco salários mínimos (R$ 6.060,00). Não cumpriu. 

Resultado: pelos cálculos da Unafisco, quem ganha R$ 6 mil vai pagar valor 562% maior do que deveria, equivalente a R$ 662 por mês. E quem recebe R$ 10 mil pagará 146% a mais. 

Quanto menor o ganho, maior o peso do imposto. Quanto maior a renda, menor a tributação. É perversidade à brasileira.

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