O estado onde eleitores ‘lulistas’ admitem votar no governador da direita
Entre evangélicos, Flávio Bolsonaro alcança 55% da preferência e Lula fica restrito a 12%. São 43 pontos de diferença
Sete em cada dez eleitores do Sul ainda não sabem dizer, espontaneamente, em quem pretendem votar para governar Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É o que mostram as pesquisas estaduais divulgadas pela Quaest nesta terça-feira (25/8).
Depois de estimulados a indicar preferências numa listagem de candidatos, quatro em cada dez eleitores deixaram claro para os pesquisadores que podem mudar sua intenção de voto, ou seja, trocar de candidato, até a primeira rodada de votação que acontece em mais cinco semanas, no domingo 4 de outubro.
Na fotografia eleitoral do Sul, reduto tradicional do conservadorismo, predomina o antipetismo. Os líderes nas pesquisas são candidatos do Partido Liberal e alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível e condenado a mais de 27 anos de prisão por crimes contra a Constituição, entre eles tentativa de golpe de estado.
A Quaest constatou situações curiosas no comportamento do eleitorado de Santa Catarina. Ali, o favorito é o governador Jorginho Mello, 70 anos, um conservador que tem 50% das intenções de voto.
Mello está 33 pontos percentuais à frente do adversário João Rodrigues (PSD), em segundo lugar, que é considerado “desconhecido” por dois terços dos eleitores.
A pesquisa mostra, também, que o governador parece despertar empatia nos aliados catarinenses de Lula. Um em cada três eleitores que se dizem “lulistas” declaram preferência pelo voto em Mello, principal adversário do PT e uma referência da militância de direita no estado desde os anos 1970, quando integrou o partido (Arena) que serviu de esteio parlamentar à ditadura.
Ele foi eleito em 2022 com apoio de Jair Bolsonaro, que obteve 69% dos votos no estado na disputa presidencial. Nesta temporada eleitoral, Mello retribuiu: atropelou aliados e impôs ao PL estadual a candidatura de dois filhos do ex-presidente — Carlos Bolsonaro ao Senado, e, Jair Renan, a deputado federal.
O governo Lula está com uma taxa de desaprovação no eleitorado catarinense (69%) coincidente com a votação de Bolsonaro no segundo turno presidencial de 2022.
O filho que ex-presidente escolheu para representá-lo nesta eleição, o senador Flávio Bolsonaro, lidera, mas não consegue repetir o desempenho do pai.
Ainda assim tem 45% da preferência, contra 20% de Lula. A diferença se amplia em alguns segmentos do eleitorado. Entre os eleitores evangélicos catarinenses, informa a Quaest, Flávio Bolsonaro chega a 55% das intenções de voto para o primeiro turno. Lula fica restrito a 12%. São 43 pontos de diferença.







