Nos EUA, Flávio Bolsonaro tenta se livrar de crises com Master e Michelle
A participação do pré-candidato na audiência de empresários e técnicos em comércio exterior sobre o tarifaço tende a ser insólita
Um ano atrás, na quarta-feira 9 de julho de 2025, Donald Trump mandou carta a Lula anunciando um tarifaço de 50% “sobre todas e quaisquer exportações brasileiras enviadas para os Estados Unidos”. O senador Flávio Bolsonaro fez questão de agradecer em público ao presidente dos Estados Unidos.
Deu tudo errado. Na prática, o efeito doméstico do tarifaço foi revigorante para a imagem do governo e de Lula, candidato à reeleição, que passou a discursar duas vezes ao dia sobre ameaças externas à “soberania” brasileira.
O senador Bolsonaro acabou realizando a proeza de se associar a um governo estrangeiro contra empresas, produtos e empregos dos brasileiros que lhe pagam o salário. Quatro meses depois, entrou na disputa presidencial pelo Partido Liberal.
Desde então, tem se esforçado para ser reconhecido como um candidato apoiado pelo presidente dos Estados Unidos na disputa pela presidência do Brasil.
Pode ser inútil: 65% dos eleitores dizem que o apoio de Trump a um candidato presidencial no Brasil não faz diferença, segundo Datafolha.
Hoje, Flávio Bolsonaro deverá fazer um comício em Washington. Pretende transformar em palanque uma audiência pública da agência de defesa comercial americana (USTR, na sigla em inglês) sobre as tarifas às exportações brasileiras.
O candidato do PL escolheu essa reunião de empresários e burocratas, que é parte do ritual estabelecido na legislação dos EUA sobre sanções comerciais, para criticar a posição do governo Lula nas negociações com o governo Trump.
Na semana passada, divulgou 80 páginas de comentários enviadas ao USTR sobre a tarifas extras a mais de 4 mil produtos do Brasil. No documento, na essência, tenta dissimular contradições de quem apoiou o tarifaço, no ano passado, e agora acha que as tarifas de Trump beneficiariam seu principal adversário, Lula.
A participação de Flávio Bolsonaro na audiência de empresários e técnicos em comércio exterior tende a ser insólita. Está prevista como ato de campanha de cinco minutos para ser registrado e divulgado no Brasil. Na realidade, Flávio Bolsonaro tenta se livrar ou conter danos de confusões com Master e Michelle.
Não será fácil, porém, desviar atenções da obscura transação de 61 milhões de reais com o dono do Banco Master, preso por fraudes financeiras bilionárias. Outro problema é a crise familiar. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro segue dizendo-se “desrespeitada”, “maltratada” e “humilhada” pelo candidato Flávio Bolsonaro.







