Favorito à reeleição em São Paulo, Tarcísio tenta unir a direita para 2030
Ele chegou à reta final da disputa com ampla vantagem em relação ao ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT)
Tarcísio de Freitas, do Partido Republicanos, deve ser reeleito para o governo de São Paulo. É o que indicam pesquisas como a da Quaest divulgada na última segunda-feira (28/9).
Ele chegou à reta final da disputa com ampla vantagem (até 20 pontos percentuais) em relação ao principal adversário, Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores, que foi prefeito de São Paulo e ministro da Fazenda.
Lidera em todos os segmentos e está à frente de Haddad até entre os eleitores mais pobres, com renda até dois salários-mínimos, ou 3.240 reais por mês.
Se as urnas confirmarem essa tendência de voto, na noite de domingo São Paulo não terá somente um governador reeleito, mas um competitivo candidato da direita para a eleição presidencial de 2030.
Na próxima corrida pela presidência, Tarcísio de Freitas terá 55 anos, dos quais oito de experiência no governo paulista, administrando o segundo maior orçamento da República.
Poderá disputar o poder num cenário bem diferente do atual. Sem Lula, pela primeira vez em quatro décadas — ele estará com 85 anos de idade. E, também, sem o clã Bolsonaro.
O patriarca Jair, a quem Tarcísio deve o êxito eleitoral em São Paulo, está doente, inelegível e condenado à prisão até os 97 anos de idade.
O filho que escolheu para representá-lo domingo nas urnas resolveu antecipar a renúncia ao páreo de 2030, caso seja eleito.
Na hipótese de derrota neste ano, Flávio Bolsonaro enfrentaria condições políticas bem mais difíceis para nova candidatura presidencial. Entre outras razões, porque o clã Bolsonaro teria acumulado dois fracassos eleitorais seguidos (2022 e 2026).
Para Tarcísio de Freitas, a reeleição no maior colégio eleitoral — se confirmada — seria apenas o começo. Precisaria, também, conseguir manter o respaldo do eleitorado paulista em níveis próximos aos atuais: 56% de aprovação do seu desempenho contra 26% de desaprovação; e, 42% de avaliação positiva do governo contra 19% de imagem negativa.
Governadores de São Paulo costumam ser vistos como potenciais candidatos ao Palácio do Planalto. Tarcísio de Freitas passou por esse teste no ano passado.
Líderes de partidos da direita e da centro-direita mostravam-se dispostos à união em torno dele para enfrentar Lula. Deu errado.
Jair Bolsonaro vetou e designou o filho-senador como candidato. Os partidos da direita e da centro-direita foram cuidar dos seus interesses e deixaram Flávio Bolsonaro na mais completa solidão eleitoral da extrema-direita.
Ele não conseguiu criou uma identidade na campanha e chega à reta final como o candidato de sobrenome reconhecido como símbolo do antipetismo e do antilulismo.
Tarcísio se tornou o avalista do filho de Bolsonaro no eleitorado paulista. E foi além: começou a aparecer na propaganda de alguns candidatos da direita nos Estados. A cena é inusual e sugestiva: o governador de São Paulo tenta unir a direita para 2030. Só falta combinar com os eleitores.





