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José Casado Por José Casado Informação e análise

Alta ansiedade domina a campanha de Bolsonaro

Tendência de alta de Lula nas pesquisas e petróleo a 118 dólares o barril deixaram o governo em transe eleitoral para "segurar" a inflação a todo custo

Por José Casado Atualizado em 31 Maio 2022, 09h19 - Publicado em 31 Maio 2022, 08h00

O governo começou a semana sob alta ansiedade, resultado de duas surpresas.

Uma foi a tendência de avanço de Lula na preferência eleitoral captada nas pesquisas da semana passada — incluindo as realizadas entre sexta-feira e domingo, como a da FSB para o banco BTG.

Outra foi o aumento do preço do petróleo, que ontem escalou o patamar de 118 dólares por barril, situação similar à da semana seguinte à invasão russa na Ucrânia.

A soma da tendência detectada nas pesquisas com a elevação do custo do petróleo levou inquietação às conversas de Jair Bolsonaro com ministros e parlamentares engajados na campanha de reeleição.

Em alguns casos sobraram queixas, em outros lamentos, mas em todas subiu a pressão por rapidez em medidas supostamente capazes de “segurar” a inflação da energia, dos alimentos e dos combustíveis, e, também, de facilitar o fluxo de capitais externos na economia.

Bolsonaro deu vazão à aflição dominante no Palácio do Planalto, convertido em comitê de campanha.

Acusou governadores de “crime” pela cobrança de “um real de ICMS por litro de óleo diesel”, e, também, a Petrobras por ameaçar “quebrar o Brasil” com novos aumentos nos preços desse tipo de combustível.

Ele quer a empresa represando preços até depois da eleição — “pelo estatuto [da Petrobras], reajuste não precisa ser automático, pode ocorrer em até um ano”

Menos cáustico, porém incisivo, o presidente da Câmara, Arthur Lira, anuncia que vai “apertar o governo” para definições imediatas sobre a criação de subsídios temporários, diretos e direcionados, principalmente aos consumidores de óleo diesel no transporte de cargas, no transporte coletivo urbano e nos serviços de táxi.

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“Apertar o governo” no idioma de Lira, influente líder do Centrão na campanha de Bolsonaro, significa pressionar Paulo Guedes, ministro da Economia, aceitar já a concessão de subsídios.

É tentativa de consertar um estrago provocado pelo governo a que servem. Perderam tempo. durante dez meses, entre abril de 2021 e fevereiro de 2022, a presidência da República se recusou a apoiar iniciativas do Congresso para atenuar o impacto do aumento dos preços do petróleo no bolso dos consumidores.

Na noite de quarta-feira 23 de fevereiro o Senado decidiu votar a criação de um fundo de subsídios para baratear os combustíveis. O governo pediu e, às 22 horas, a votação foi adiada. Indefinidamente. Duas horas depois, a Rússia invadiu a Ucrânia. O preço do petróleo disparou, foi a 120 dólares por barril nos dias seguintes.

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Lira e Guedes têm conversado sobre subsidiar combustíveis, mas ambos estão  numa vertigem eleitoral. Compartilham receios com Bolsonaro. No governo, teme-se que o presidente-candidato fique vulnerável a ações judiciais, acusado de manipulação dos cofres públicos — pela legislação eleitoral, passível de punição com inelegibilidade.

Lira desdenha das incertezas jurídicas, e oferece a alternativa do “botão da calamidade” na mesa do ministro da Economia, acionado com a chancela do Congresso nos últimos dois anos de pandemia.

Desta vez, segundo o presidente da Câmara, haveria a justificativa da guerra na Ucrânia e seus efeitos no Brasil. A certeza de Lira sobre a aprovação no Congresso de regime de exceção para controle de preços, ainda que temporário,  provavelmente deriva do pragmatismo de 513 deputados e 27 senadores diretamente interessados nas eleições gerais de outubro.

Calamidade sanitária é, por óbvio, incomparável aos infortúnios de um governo no gerenciamento da economia no meio da temporada eleitoral.

Porém, no estado de alta ansiedade eleitoral em que se encontram Bolsonaro, ministros e parlamentares aliados, a lógica é a primeira vítima da guerra pela  reeleição.

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