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Informação e análise

A derrota mais expressiva do juiz Alexandre de Moraes em 9 anos no STF

Guerra aberta entre dois juízes rachou o Supremo e tem reflexos imprevisíveis na campanha eleitoral

Por José Casado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 set 2026, 08h00 | Atualizado em 11 set 2026, 03h03
A derrota mais expressiva do juiz Alexandre de Moraes em 9 anos no STF Priorize VEJA no Google

Nesta quarta-feira (9/9), o juiz Alexandre de Moraes sofreu sua derrota mais expressiva desde que chegou ao Supremo Tribunal Federal, há nove anos e cinco meses.

Ele perdeu a relatoria do inquérito das Fake News, rótulo de um polêmico conjunto de investigações genéricas e secretas que o tribunal mantém desde 2019 em nome da autodefesa.

Edson Fachin, presidente do STF, retirou o inquérito de Moraes, e assumiu a supervisão.

É fato incomum, assim como as circunstâncias determinantes dessa situação. Na semana passada, Moraes usou o inquérito para enquadrar um outro juiz do STF, André Mendonça.

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Acusou-o de conluio com um grupo de delegados federais para produzir uma peça policialesca contra ele, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Mendonça é relator do caso do Banco Master, epicentro de fraudes no mercado financeiro aparentemente sob proteção de uma rede de influência política em Brasília, que se estende pelo governo, Congresso e Judiciário.

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Ele divulgou relatórios da polícia sobre o Master que deixaram exposto o juiz Moraes. A banca de advocacia da família Moraes fez um contrato muito acima dos padrões de remuneração com o antigo dono do Master, Daniel Vocaro, atualmente em prisão preventiva por falcatruas em série. Nos documentos constavam, também, excertos de mensagens que sugerem relações inadequadas do juiz com o ex-banqueiro.

A guerra aberta entre os dois juízes rachou o Supremo e provocou ampla mobilização externa por resolução imediata. Por isso, Fachin retirou o inquérito das Fake News das mãos de Moraes.

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Ao mesmo tempo, anulou decisões conflitantes de Mendonça e Flavio Dino sobre a permanência de Rodrigues na função de diretor da Polícia Federal. Deve decidir o caso na segunda-feira.

Fachin foi além: marcou para a manhã de terça-feira (15/9) o julgamento do pedido de nulidade do relatório produzido por delegados para Mendonça com informações sobre Moraes, Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

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É provável que, nesse ritual, a maioria dos juízes remeta o caso à Procuradoria-Geral da República. Ali seria decidida anulação ou abertura de uma ação penal contra o juiz Moraes. Por enquanto, a perspectiva é de anulação.

Uma possibilidade é a de um embate no plenário. Nesse caso, haveria o risco de o tribunal terminar o dia com a recomendação de processos contra Moraes, que é vice-presidente do Supremo, e Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

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Em qualquer cenário, os reflexos na campanha eleitoral são imprevisíveis. Nada será como antes no salão de café nem no plenário do STF, onde os juízes Moraes e Mendonça sentam-se lado a lado. Uma certeza possível é a de que a crise continua e, depois das eleições, tende a se espraiar pelo governo e pelo Congresso.

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