O que quase ninguém fala sobre sexo entre mulheres, segundo pesquisa da USP
Levantamento questiona mitos persistentes sobre prevenção e bem-estar sexual
A crença de que o sexo entre mulheres não oferece risco de transmissão de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) ainda persiste, mas um estudo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP mostra que a realidade é mais complexa. A pesquisa, realizada com 371 mulheres de diferentes regiões do país, revelou que apenas 2,7% das participantes utilizam métodos de barreira durante o sexo oral, uma das formas recomendadas de reduzir o risco de contágio. Por outro lado, a maioria relatou estar vacinada contra HPV e hepatite, importantes medidas de prevenção.
O levantamento também identificou que cerca de um terço das entrevistadas apresentou sinais de risco para disfunção sexual. O resultado foi medido por um questionário que avalia aspectos como desejo, excitação, orgasmo, satisfação e dor durante as relações. Segundo os pesquisadores, o risco não variou de forma significativa de acordo com idade, escolaridade, orientação sexual ou identidade de gênero. A conclusão é que mulheres que fazem sexo com mulheres ainda enfrentam lacunas de informação e assistência, reforçando a necessidade de ampliar o acesso a orientações sobre saúde sexual e a um atendimento ginecológico mais acolhedor e livre de preconceitos.






