Bruna Surfistinha: ‘Não teria me prostituído se existisse conteúdo adulto’
Raquel Pacheco fala a coluna sobre sexo, maternidade e preconceito
Quinze anos depois de transformar sua história em fenômeno de público, Raquel Pacheco volta ao universo de Bruna Surfistinha em um momento bem diferente da própria vida. Bruna Surfistinha 2 estreia no início de 2027, com Deborah Secco novamente no papel principal, e acompanha uma personagem que deixa a prostituição para trás e se depara com uma nova forma de exposição sexual. Nos bastidores, a empresária participou da construção do roteiro e das gravações. Foi também durante esse processo que surgiu uma ideia que, inicialmente, a deixou hesitante: voltar a produzir conteúdo adulto. Em julho, ela anunciou que havia aceitado o desafio. Aos quase 42 anos, Pacheco fala sobre a volta de Bruna às telas, a relação com a própria história e uma nova fase em que diz se importar menos com o julgamento alheio.
Da estreia do primeiro filme até hoje, mudou alguma coisa na forma como você enxerga aquela Bruna Surfistinha? Houve um amadurecimento. O primeiro filme retrata minha vida dos 17 aos 20 anos. Hoje estou com quase 42 e vivi dores e amores intensos nesse período. A maternidade mudou totalmente minha visão sobre o mundo. Sendo mãe de duas meninas de quatro anos, penso muito na minha própria adolescência, quando fugi de casa para me prostituir.
Você se arrepende de ter exposto alguma parte da sua vida? Me arrependo da maneira como saí de casa, mas não da prostituição nem de ter contado o que vivi. Tornei público que passei quatro dias trabalhando apenas R$20 por cliente, fato que poderia ter mantido em segredo. Mas a minha realidade era essa, uma fase de autoestima baixa e inseguranças. Tudo isso faz parte da minha história, não me envergonho.
Você começou a falar publicamente sobre prostituição em uma época em que o assunto era cercado de tabu. O preconceito permanece? Ainda existem inúmeras amarras, mas houve uma melhora. Comecei a falar do tema há mais de vinte anos, em um blog, e acabei dando voz a garotas de programa. Muita gente, desde então, passou a ter um olhar mais humano para as prostitutas.
Recentemente, você anunciou sua entrada no mercado de conteúdo adulto. O que te levou a tomar essa decisão? A ideia, na verdade, foi plantada pela própria produção do filme, quando o roteiro começou a ser escrito. Eles me incentivaram a entrar nesse mundo como uma forma de ganhar dinheiro e também de fazer marketing para o longa. Pensei muito, principalmente por agora ser mãe, mas decidi tentar. Por ironia, pouco antes de começar a vender conteúdo, eu havia passado mais de um ano em celibato.
Por que ficou todo esse tempo sem sexo? Vivi um divórcio traumático seguido de uma relação abusiva, em que fui perseguida por meses após colocar um fim no relacionamento, que nem chegou a ser um namoro. Perdi totalmente a confiança nos homens, até hoje, não penso em namorar e nem aproximar ninguém das minhas filhas. Nesse tempo sem sexo, cuidei mais de mim e descobri outras formas de prazer, foi uma boa experiência de autoconhecimento.
Acha que as plataformas adultas são uma nova forma de prostituição? Vejo muitas diferenças. Gravo cenas de sexo explítico, mas conheço várias mulheres que apenas produzem conteúdo sensual e nunca chegaram perto de fazer programa. Agora estou ganhando muito dinheiro com vídeo chamadas e até venda de calcinhas. Se lá atrás já existissem esses sites, eu não teria me prostituído.







