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Game of Thrones – O Início da 6ª Temporada

Por Isabela Boscov Atualizado em 30 jul 2020, 22h50 - Publicado em 3 Maio 2016, 19h10

Meus problemas com Game of Thrones…

… e por que esqueci de todos eles no segundo episódio desta temporada


ATENÇÃO: sim, este texto tem SPOILERS


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Nunca tive uma relação tão sanguínea com Game of Thrones quanto tenho, por exemplo, com Penny Dreadful, ou como tive com as primeiras temporadas de The Walking Dead. Uma razão simples: personagens demais. Não quero dizer apenas que há muita gente em cena, mas sim que há gente em excesso. Da maneira como George R.R. Martin concebeu sua saga, há um punhado de figuras centrais que ganham todas as honras do desenvolvimento dramatúrgico – os Stark, os Lannister, Daenerys –, e que o leitor/espectador se sente compelido a acompanhar. Mas, em volta dessas figuras, há uma verdadeira multidão de personagens “funcionais”: GoT é um xadrez jogado em uma dúzia de tabuleiros ao mesmo tempo, e tem, portanto, uma quantidade proporcional de peões que serão usados em um ou dois lances e então descartados. Já perdi a conta de quantas vezes confundi peão com torre, e vice-versa: fico interessadíssima em um personagem, e ele é jogado para escanteio e nunca mais se ouve falar dele. Ou acho um personagem uma chatice, mas lá vai ele, vivinho, temporada após temporada. Em GoT, é difícil saber em quem investir afeição – ou aversão.

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Mas, agora que a série está se desprendendo dos livros (por falta de livros, aliás), é palpável a sensação de libertação, de propósito renovado. A prova, para mim, é o fabuloso segundo episódio da sexta temporada, que foi ao ar em 1º de maio: GoT é uma série que sempre começa em marcha lenta, mas desta vez resolveu sair com rédea solta. Foi muito bacana a volta de Jon Snow, mas todo mundo já imaginava mesmo que a morte dele seria apenas temporária.

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O foco surpreendente – e arrepiante – do episódio? A inesperada ascensão de Ramsay Bolton como peça crucial do enredo, em um entrecho que teve parricídio, fratricídio e outros tantos tipos de homicídio qualificado, todos perpetrados por Ramsay com uma nonchalance, um ar de diversão e cinismo mas também de determinação férrea, que o tornaram meu mais favorito de todos os malvados até aqui de GoT. George R.R. Martin continua colaborando estreitamente com os showrunners, e é provável que essa importância de Ramsay já estivesse planejada para os livros ainda não publicados. Ou será que ele vai ter essa importância nos livros porque o excelente Iwan Rheon fez o personagem crescer na série, com sua interpretação tão marcante? Seja como for, acho que parte da eletricidade do segmento dedicado a Ramsay vem desse fato tão simples: agora GoT pode jogar por suas próprias regras.

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Tipicamente, o que se teve nos cinco primeiros anos da série foi o seguinte: os episódios iniciais se dividem entre todos esses tabuleiros (e toca pular da Croácia para o Marrocos para a Islândia para a Irlanda e de volta para o Marrocos), com todos os peões nas suas posições; à medida que a intriga avança e certas peças são tiradas de jogo, o enredo vai se concentrando, até desembocar em um oitavo episódio sensacional (é batata: o oitavo episódio é sempre o melhor) – e aí começa uma nova distensão, em que o nono e o décimo episódios servem de preparação de terreno à temporada seguinte. O episódio inaugural desta temporada seguiu esse figurino –  mas a coisa começou a esquentar já na última cena, em que se revelou o segredo de Melissandre. E daí veio a surpresa do segundo episódio, em que não houve armações, só resoluções. Tyrion soltou os dragões e fez a audiência lembrar por que ninguém se cansa dele (nem do ótimo Lord Varys). Arya deu um passo à frente na sua estranha jornada de iluminação. Brandon teve uma prova concreta do que é capaz. Um obstáculo foi removido entre os Greyjoy, e outro surgiu no seu lugar. E Thommen entregou o reino de bandeja a sua mãe, Cersei. Tudo isso em sequências curtas e incisivas, deixando tempo para desenvolver direito duas tramas decisivas: a emergência de Ramsay como o tirano do Norte e a união de Melissandre e do irresistível Lord Davos de Liam Cunningham em torno da ressurreição de Jon Snow.

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Só vendo (e vou ver, claro) para saber se essa mudança imprevista na arquitetura da temporada vai prosseguir, e que frutos ela trará. Para mim, pelo menos, parece que GoT recuperou a ousadia, o pulso e a concentração da sua primeira temporada, e avançou mais em termos de coesão narrativa do que em todas as temporadas até aqui. Pela primeira vez, estou achando que vou ficar tão viciada quanto o restante do público.

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