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Lições da China: do aço ao carro elétrico, como três cidades chinesas enfrentam as emissões

Serviços, siderurgia e indústria definem as ações de Chengdu, Tangshan e Chongqing para reduzir as emissões de carbono

Por Ana Cláudia Guimarães Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 ago 2026, 07h00
Lições da China: do aço ao carro elétrico, como três cidades chinesas enfrentam as emissões Priorizar nos meus resultados Google

Em Tangshan, reduzir as emissões passa por dentro dos altos-fornos. Siderúrgicas recirculam os gases da sinterização, testam a injeção de gases enriquecidos com hidrogênio e usam sistemas inteligentes de carvão pulverizado. Em Chengdu, o trabalho inclui usinas virtuais, veículos de nova energia, carregamento ultrarrápido e painéis solares integrados aos edifícios. Chongqing mexe em indústria, energia, transportes e bairros antigos ao mesmo tempo. As medidas ganham peso em 2026, início do 15º Plano Quinquenal, período em que a China pretende reduzir em 17% as emissões de CO2 por unidade do PIB e começar a estabelecer um sistema energético limpo, de baixo carbono, seguro e eficiente. O objetivo é preparar o país para atingir o pico das emissões antes de 2030. 

As três cidades ocupam o centro da apresentação de Zhang Xinyu, professor associado e doutor da Universidade de Geociências da China, em Pequim. Chengdu tem uma economia movida principalmente por serviços; Tangshan abriga a maior base siderúrgica do país; e Chongqing reúne indústria e serviços em uma cidade de grande área e população. O perfil de cada uma define as prioridades da transição verde e de baixo carbono.

A questão alcança boa parte do país. A taxa de urbanização chinesa já supera 67%, e os 940 milhões de moradores das cidades geram mais de 90% do Produto Interno Bruto. As áreas urbanas também concentram mais de 80% das emissões nacionais de carbono.

A concentração média de PM2,5 no ar das cidades caiu de 42 microgramas por metro cúbico, em 2016, para 28 microgramas, em 2025. Ainda assim, o material informa que apenas 14% das cidades do mundo cumprem os padrões de poluição do ar da Organização Mundial da Saúde, de acordo com o Relatório Global de Qualidade do Ar 2025.

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Parte do controle ocorre depois que os poluentes já foram gerados. É o chamado tratamento ao final do tubo, que remove NOx, SOx e outros gases sem mudar a estrutura produtiva. Tecnologias de emissões ultra baixas na indústria e na geração elétrica, somadas a regras mais rigorosas para os veículos, reduziram a poluição. A apresentação, porém, afirma que esse modelo se aproxima do limite de eficácia.

O passo seguinte é mexer na origem: reduzir o uso de combustíveis fósseis, trocar processos industriais e eletrificar atividades. A maior parte do CO2 e dos poluentes convencionais vem das mesmas fontes. Eletricidade, indústria, transportes e construção civil aparecem, ao mesmo tempo, como grandes emissores de carbono e de poluentes.

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O tamanho da dependência ajuda a explicar a dificuldade. Em 2021, o carvão representava 54,67% do consumo energético chinês, o dobro da soma do petróleo e do gás. Ao mesmo tempo, a mudança ganhou escala: em 2025, as fontes renováveis somavam 2,34 bilhões de quilowatts de capacidade instalada, 24% acima do ano anterior e cerca de 60% da capacidade total de geração do país.

As redes inteligentes ajudam a distribuir essa eletricidade e a receber grandes volumes de novas energias. Em 2025, o sistema chinês tinha 44 rotas de transmissão entre regiões e mais de 40 mil quilômetros de linhas de corrente contínua de ultra-alta tensão. No mesmo ano, a China respondeu por 63% das vendas mundiais de veículos de nova energia.

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Tangshan é a maior base de produção de aço da China. Em 2023, a cidade respondeu por 11,98% do aço bruto e por 12,13% dos produtos siderúrgicos fabricados no país. O setor secundário respondia por 49,1% da economia, com a siderurgia, a fabricação de equipamentos, a energia, a indústria química e a cerâmica entre seus pilares.

A concentração industrial cobra um preço. O carvão é a principal fonte de energia e de emissões de carbono. Em agosto de 2025, Tangshan ficou entre as 20 últimas posições do ranking de qualidade do ar das 168 principais cidades chinesas. A concentração de PM2,5 era elevada, e siderúrgicas, fábricas de cimento e a produção de coque apareciam entre as principais fontes.

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É nesse ponto que entram as mudanças nos altos-fornos. As empresas recirculam gases do sistema de sinterização (processo industrial que aquece e compacta partículas de materiais, sem derretê-las completamente) e usam combustão com mais oxigênio. Também testam gases enriquecidos com hidrogênio e injeção inteligente de carvão pulverizado para gastar menos coque e emitir menos carbono. A metalurgia com hidrogênio aparece entre as tecnologias em estudo.

Fora das fábricas, Tangshan planeja projetos de energia eólica no mar, amplia a geração solar distribuída e adapta parte das termelétricas a carvão para receber energia renovável. No transporte de cargas, o município busca substituir caminhões por trens e hidrovias. Também testa a troca de baterias em caminhões pesados e acelera a construção de postos de hidrogênio e pontos de eletricidade em terra para navios.

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Chengdu segue outra rota. Capital da província de Sichuan, a cidade tinha 21,54 milhões de moradores em 2025 e ocupava a quarta posição entre as mais populosas da China. Os serviços respondiam por 69,9% da economia; a indústria, por 27,9%; e o setor primário, por 2,2%.

O crescimento das emissões de carbono perdeu velocidade e mostra tendência de descolamento do avanço econômico, com queda da intensidade de carbono. O problema está concentrado no petróleo e no gás natural e em três áreas: indústria, edifícios e transportes. Veículos e poeira são as principais fontes de material particulado; os gases dos automóveis respondem pela maior parte do NO2.

A cidade construiu cadeias produtivas em novas energias, hidrogênio, armazenamento e veículos de nova energia. O valor da produção desses setores passou de 260 bilhões de yuans em 2023 e deve chegar a 300 bilhões de yuans em 2027.

Na rede elétrica, Chengdu combina fontes renováveis e hidrogênio com usinas virtuais e novos sistemas de armazenamento. Nas fábricas, promove fornos elétricos de processo curto, eletrificação do calor e reaproveitamento. No transporte, incentiva os veículos de nova energia, a recarga ultrarrápida e os combustíveis sustentáveis de aviação. Nos prédios, instala geração fotovoltaica integrada e controle inteligente do consumo.

Já Chongqing tem a maior área territorial e a maior população entre as cidades chinesas. Em 2025, somava 31,8726 milhões de moradores e tinha taxa de urbanização de 73,02%. Os serviços respondiam por 58,8% da economia e a indústria por 34,9%. O material reúne ações em várias frentes.

A indústria ainda é a principal responsável pelas emissões de carbono ligadas à energia. As emissões associadas ao consumo final do setor apresentam tendência de queda. O transporte de cargas depende das rodovias, e o uso de aviões, estradas e hidrovias mantém alto o consumo de derivados de petróleo. Mesmo assim, a qualidade do ar melhorou: PM10, PM2,5, SO2, NO2, monóxido de carbono e ozônio atingiram o padrão nacional de qualidade do ar de Nível II.

Nas fábricas, Chongqing troca combustíveis, testa fornos elétricos de processo curto e metalurgia com hidrogênio e reaproveita o calor das indústrias química e cimenteira. Na energia, digitaliza usinas hidrelétricas e amplia os painéis solares e o armazenamento em parques industriais e edifícios públicos.

No transporte, a eletrificação do sistema público avança, enquanto projetos testam troca de baterias em caminhões pesados, equipamentos portuários a hidrogênio e eletricidade em terra para navios. Bairros antigos recebem lâmpadas econômicas, painéis solares distribuídos e gestão inteligente do consumo de energia.

Porém, nem todas as emissões podem ser eliminadas com eletrificação ou troca de combustíveis. Para esses casos, a apresentação inclui a captura, utilização e armazenamento de carbono, conhecida pela sigla CCUS. A estimativa para 2060 varia de 1 bilhão a 2,5 bilhões de toneladas de CO2 por ano, mas a capacidade atual equivale a apenas 0,16% a 4% dessa necessidade. O custo alto e a falta de um modelo de negócio eficaz ainda limitam o uso da tecnologia.

A síntese de Zhang Xinyu também aponta a necessidade de integração entre regiões. A otimização das redes elétricas, as bases de energia e a cooperação nas cadeias produtivas podem reduzir custos. Comércio de emissões, eletricidade verde e padrões para edifícios orientam os investimentos; títulos verdes e linhas especiais de crédito ajudam a financiar os projetos.

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