Lee Jae Myung pede diálogo com Coreia do Norte, acena ao Japão, mas cobra o passado
Presidente sul-coreano defende fim formal da Guerra da Coreia, aproximação com Tóquio e recuperação de bens ligados a colaboradores do domínio japonês
Diante do público reunido no Centro Sejong, o presidente afirmou que Seul e Pyongyang precisam voltar à mesa de negociações e propôs que as partes envolvidas discutam o fim formal da Guerra da Coreia. O conflito, travado entre 1950 e 1953, terminou com um armistício, e não com um tratado de paz.
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“Espero que o Sul e o Norte possam sentar-se juntos para buscar a coexistência pacífica e o crescimento compartilhado. Em vez de uma concessão, isso marcaria o início da coexistência”, disse Lee.
O presidente defendeu a substituição do atual armistício por um regime de paz e afirmou que a retomada das conversas também poderia abrir espaço para negociações sobre o programa nuclear norte-coreano.
“Deixemos de lado as intenções de ameaçar uns aos outros e iniciemos um diálogo entre as partes diretamente envolvidas, a fim de concluir esta longa guerra”, afirmou. “Por esse diálogo, também poderemos conceber formas eficazes de conter os avanços das capacidades nucleares da Coreia do Norte.”
Lee resumiu sua posição em uma frase: “A coexistência pacífica na Península Coreana é um dever, não uma escolha”. A proposta faz parte da tentativa de seu governo de reduzir a hostilidade entre as duas Coreias e restabelecer canais de negociação com Pyongyang.
No mesmo discurso, o presidente dedicou boa parte de sua fala ao Japão. A escolha não foi casual. O Dia da Libertação lembra o fim da ocupação japonesa da Península Coreana, que durou de 1910 a 1945 e deixou questões históricas ainda presentes na relação entre os dois países.
Lee afirmou que Coreia do Sul e Japão conseguiram ampliar a confiança no último ano e citou a cooperação nas áreas de cadeias de suprimentos, energia e indústrias avançadas, além dos intercâmbios entre jovens.
“Guiado por uma diplomacia pragmática centrada nos interesses nacionais, o meu governo continuará a expandir os horizontes da cooperação na busca dos nossos interesses comuns”, declarou.
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A disposição de trabalhar com Tóquio, no entanto, veio acompanhada de uma cobrança. Para Lee, uma relação duradoura entre os dois países depende também da maneira como o passado é tratado.
“A confiança se constrói por meio da empatia mútua e do reconhecimento sincero da dor um do outro. Até hoje, as vítimas e as famílias enlutadas ainda convivem com as feridas e a dor do passado”, afirmou.
Segundo o presidente, justamente quando a cooperação entre Coreia do Sul e Japão se torna “mais importante do que nunca”, a aproximação não pode deixar de lado aqueles que continuam afetados pelas consequências da ocupação japonesa.
Foi nesse ponto que Lee retomou uma das medidas de seu governo relacionadas ao período colonial. Ele disse que o Estado irá investigar e recuperar bens considerados obtidos ilegalmente por coreanos que colaboraram com o Japão durante a ocupação.
A legislação sobre o confisco desses patrimônios foi promulgada em 2 de junho. O governo pretende ainda destinar os recursos obtidos com os bens incorporados pelo Estado ao reconhecimento e ao apoio de ativistas da independência e de seus familiares.
“Investigaremos e recuperaremos os bens acumulados ilicitamente por colaboradores pró-japoneses e antinacionais, responsabilizando-os integralmente perante a história”, disse Lee.
O presidente encerrou o discurso com um pedido de união dentro do próprio país. Disse que divergências políticas ou sociais não devem se transformar em hostilidade e citou os desafios impostos pela competição internacional e pelas mudanças na economia mundial.
“Não importa quão diferentes sejam nossos pensamentos e interesses, o país em que nós e as futuras gerações viveremos é um só”, afirmou. “Todos compartilhamos a aspiração de legar um país melhor.”






