Do NewJeans a Ateez: como o funk brasileiro entrou no K-pop
Batidas do gênero aparecem em músicas de Enhypen, Nmixx, Aespa e Tomorrow X Together e chegam também a artistas como NTX e Park Do-Ha
O funk brasileiro voltou a aparecer nos lançamentos de alguns dos nomes mais conhecidos do K-pop. Em junho, o Ateez levou elementos do gênero para “Bad”, música principal do EP Golden Hour: Part. 5. Dois meses depois, o Enhypen lançou “Bloody Paradise”, faixa de trabalho de The Sin: Bliss, também marcada pelo ritmo brasileiro. Os dois discos estrearam no primeiro lugar da Billboard 200.
A aproximação, porém, começou antes. Em 2023, o NewJeans lançou “ETA”, produzida por 250, nome artístico de Lee Ho-hyeong, produtor e DJ sul-coreano, com elementos do funk de favela. A música chegou à 81ª posição da Billboard Hot 100 e ajudou a apresentar o ritmo a uma parcela maior do público internacional do K-pop.
O interesse do produtor pelo gênero já vinha há alguns anos. O crítico musical Lim Hee-yun contou para o Korea Herald que, sete ou oito anos antes de trabalhar com o NewJeans, ele e 250 já tinham conversado sobre o funk de favela e o Jersey Club:
“Ele me disse que a música era extremamente intensa e tinha uma maneira de crescer até um clímax poderoso, algo que, na opinião dele, combinava bem com a estética do K-pop”, afirmou Lim. “Ele queria unir esse som ao K-pop. ”
Naquele mesmo período, outros artistas sul-coreanos começaram a testar essa combinação. Em setembro de 2023, o Tomorrow X Together lançou “Back for More” com a cantora brasileira Anitta e a dupla de produtores Tropkillaz. No mesmo mês, o Aespa apresentou um remix de “Better Things” com influências do funk brasileiro, também produzido pelo Tropkillaz. O Nmixx havia recorrido ao ritmo ainda antes. “O. O”, single de estreia do grupo, lançado em 2022, incorporou o baile funk.
O interesse pelo som brasileiro não se restringe somente aos artistas de maior projeção internacional. O grupo NTX e o cantor Park Do-ha também se aproximaram do gênero. Park, que fará shows no Brasil, já demonstrou interesse pela música produzida no país fazendo collab com o funkeiro Livinho. O NTX, grupo que tem grande base de fãs no Brasil, já declarou que se inspira no funk para algumas composições:
“Estamos estudando cada vez mais o funk para incluir em nossas músicas”, contou Rawhyun, rapper do NTX.
A presença cada vez mais frequente dessa batida no K-pop tem relação direta com a forma como os grupos constroem suas apresentações. A percussão forte, a repetição rítmica e as mudanças de intensidade favorecem coreografias vigorosas e números pensados para causar impacto tanto no palco quanto nos vídeos publicados nas redes sociais.
Essa característica interessa especialmente a grupos que fazem da dança e da imagem partes centrais de seus trabalhos. Segundo Lim, “para grupos como Ateez e Enhypen, que buscam imagens impactantes, o gênero é uma combinação natural”, disse Lim.





