China põe cientistas em outdoors para atrair jovens à pesquisa
Retratos de pesquisadores ocupam espaços publicitários, antes reservados a artistas, enquanto o governo de Xi aposta na formação científica
Em uma área comercial movimentada de Shandong, na China, quem olha para o alto encontra rostos pouco habituais em grandes anúncios. No lugar de campanhas de produtos, cartazes exibem cientistas como Qian Xuesen, Deng Jiaxian, Qian Sanqiang e Guo Yonghuai. A iniciativa começou a chamar atenção em cidades como Heze e Zibo e chegou a outros centros urbanos. Ao levar esses pesquisadores para as ruas, seus organizadores querem que crianças e adolescentes os reconheçam fora dos livros escolares.
A troca de imagens ocorre em um país que deseja despertar nos jovens o interesse por carreiras científicas. Em julho, o presidente Xi Jinping pediu a formação de mais pesquisadores e disse que escolas e instituições deveriam identificar cedo estudantes com interesse e aptidão para a ciência. A meta de seu governo é ampliar a capacidade chinesa de desenvolver tecnologias próprias e enfrentar problemas que ainda limitam o país nessa área.
Os cartazes dão uma forma visível a essa ambição. Qian Xuesen participou do desenvolvimento do programa espacial chinês; Deng Jiaxian teve papel central no programa nuclear. Suas trajetórias aparecem agora onde normalmente se disputa a atenção de possíveis consumidores. Num comentário sobre os anúncios, a Xinhua, agência de notícias chinesa, defendeu que reservar aos cientistas um lugar de destaque na cidade é uma maneira de mostrar respeito pela ciência. Em Chongqing, empresas também cederam espaços publicitários para a campanha.
A disputa pela atenção dos jovens se estende às telas dos celulares. A Administração do Ciberespaço da China orientou as plataformas a verificar as credenciais de apresentadores de transmissões ao vivo que se anunciam como especialistas em finanças, educação, saúde e direito. O órgão também combate conteúdos de falsa divulgação científica usados para vender produtos ou cursos.
Para os menores de idade, uma diretriz prevê limites de uso no modo infantil dos dispositivos: até uma hora diária, por padrão, para quem tem menos de 16 anos, e até duas horas para adolescentes de 16 e 17 anos. Os pais podem alterar essas configurações. A recomendação também pede que aplicativos ofereçam conteúdo adequado a cada faixa etária, incluindo divulgação científica.
Xi não anunciou que quer acabar com os influenciadores. O que suas falas e as medidas do governo mostram é uma preferência clara: a China quer que mais jovens se interessem por estudar e fazer pesquisa, ao mesmo tempo que tenta controlar parte do conteúdo que alcança essa geração. Os retratos gigantes deixam clara a intenção da campanha: fazer com que as crianças conheçam esses pesquisadores e, quem sabe?, passem a sonhar em ser cientistas também.







