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Brasil e China querem mudar como imagens de satélite chegam ao usuário

Parceria entre a brasileira Concert Space e a chinesa Star.Vision pretende levar algoritmos para dentro dos satélites

Por Ana Cláudia Guimarães 5 ago 2026, 19h50
Brasil e China querem mudar como imagens de satélite chegam ao usuário Priorizar nos meus resultados Google

Comprar uma imagem de satélite, contratar uma empresa para desenvolver um algoritmo, processar os dados em terra e só então receber as informações. Esse é o caminho percorrido hoje por quem precisa usar imagens espaciais para monitorar uma lavoura, acompanhar o nível de um reservatório ou identificar um vazamento ambiental. Uma parceria entre uma empresa brasileira e outra chinesa quer encurtar esse processo: e, na prática, mudar o modelo de negócios do setor.

A brasileira Concert Space e a chinesa Star.Vision assinaram, nesta quarta-feira, durante o Rio Innovation Week, um memorando de entendimento para desenvolver tecnologias capazes de processar imagens diretamente em órbita, antes mesmo que elas sejam enviadas para a Terra. Segundo Rafael Mordente, CEO da Concert Space, a inovação não está apenas na velocidade do processamento, mas na forma como a informação passa a ser produzida:

“|A diferença entre fazer o processamento em solo e fazer em órbita é uma mudança no modelo de negócio do tratamento de imagens satelitais. Hoje, quem precisa de uma informação primeiro compra a imagem, depois contrata uma empresa para desenvolver um algoritmo capaz de extrair os dados. Essa empresa, por sua vez, precisa adquirir a imagem de um fornecedor. Só então a informação chega ao usuário”.
Rafael Mordente explica que o novo modelo elimina praticamente todas essas etapas:

“Quando colocamos o algoritmo dentro do satélite, ele passa sobre a área de interesse e já extrai as informações necessárias. Não é preciso vender a imagem nem fazer o download dos dados. O satélite envia diretamente o resultado para o usuário”.

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Na prática, isso significa que um produtor rural, por exemplo, interessado em saber o estado de irrigação de uma plantação ou até mesmo estimar o número de cabeças de gado em sua propriedade poderá receber a informação pronta, sem precisar acessar ou processar imagens brutas.

O mesmo princípio pode ser aplicado em diferentes setores. Entre as possibilidades citadas pela Star.Vision estão ainda o monitoramento de lavouras, a fiscalização de obras e rodovias e até a identificação de vazamentos em instalações de petróleo.

“O beneficiário deixa de comprar imagens para comprar informação”, resume Mordente.

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A primeira aplicação da parceria será justamente nessa área. O algoritmo brasileiro YaraTracker, desenvolvido pela Concert Space em parceria com a Embrapa Territorial, será embarcado na constelação de satélites da Star.Vision para monitorar corpos d’água e áreas de piscicultura no Brasil.A expectativa é reduzir o intervalo entre a passagem do satélite e a entrega dos dados aos usuários, permitindo decisões mais rápidas em atividades que dependem de informações atualizadas.
Para Lucíola Magalhães, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Territorial, a tecnologia pode representar um avanço importante para a gestão dos recursos hídricos no Brasil:

“Gerenciar recursos hídricos em um país de dimensões como o Brasil exige dados precisos e agilidade na obtenção e interpretação. Levar o processamento de inteligência artificial para dentro dos satélites com o objetivo de monitorar a água e a piscicultura praticamente em tempo real é um grande desafio, mas que muito nos anima.”

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A cooperação também prevê a transferência de conhecimento entre as equipes. O cientista de dados João Pedro Klock, da Concert Space, participa de um treinamento na China, onde acompanha atividades técnicas da Star.Vision, incluindo o lançamento de dois satélites hiperespectrais da empresa.

Especializada em satélites com inteligência artificial embarcada e computação de bordo, a Star.Vision considera o acordo seu primeiro grande projeto na América do Sul. Para Bruce Wei, gerente de Negócios da empresa para a região, a parceria pode contribuir para ampliar a inovação no setor espacial brasileiro e formar novos profissionais na área.

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O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Chamon, também destacou a importância da cooperação internacional para o fortalecimento da indústria espacial nacional.

Além da aplicação imediata no monitoramento ambiental, a Concert Space vê o projeto como um passo rumo a um objetivo maior: desenvolver aplicações nacionais para satélites definidos por software, capazes de receber novas funções mesmo depois de lançados ao espaço. Segundo a empresa, o avanço do Microlançador Brasileiro (MLBR) poderá, no futuro, permitir que tecnologias desenvolvidas no país também sejam colocadas em órbita por uma plataforma nacional.

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