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Felipe Moura Brasil Por Blog Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

Vídeo: Joaquim Levy diz à CNN que não planeja pedir demissão. Mas vamos falar a verdade sobre a crise, Levy!

Inglês do ministro da Fazenda é bem melhor que o de Dilma Rousseff

Por Felipe Moura Brasil Atualizado em 31 jul 2020, 00h13 - Publicado em 28 out 2015, 20h22

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Em entrevista concedida de Londres à rede de TV americana CNN e exibida na noite desta quarta-feira (28), o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que não planeja deixar o cargo no governo de Dilma Rousseff.

Doutor em economia pela Universidade de Chicago (1992), Levy mostrou um inglês bem melhor que o da sua chefinha, que o despachou ao Reino Unido para um encontro com o ministro das Finanças britânico, George Osborne, e também para o evento “Amazon Day” realizado na Embaixada do Brasil, onde o ministro defendeu pela manhã investimentos em energias renováveis.

Assista a um trecho da entrevista à CNN gravado por este blog e traduzido abaixo, com comentários.

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Levy: “Eu não estou planejando isso. Eu acho que, você sabe, no Brasil nós somos convidados pelo[a] presidente para ser ministro e eu acho que este não é o ponto realmente importante. O ponto são as políticas. Há muitas pessoas no Brasil que são muito bem treinadas, vocês provavelmente conhece muitas delas, a questão é que nós temos de explicar, de ser muito claros sobre por que nós temos de fazer alguns esforços; e também temos de ser muito claros sobre quais são as perspectivas de gastos públicos. As pessoas ficam preocupadas que os gastos públicos aumentem demais, porque talvez você precise aumentar os impostos. As pessoas querem saber [o seguinte]: se nós temos de fazer algo agora, o que vamos conseguir em alguns anos? E, nisso, temos de ser muito claros em dizer por quê: precisamos primeiro ajustar a perspectiva fiscal e, depois, iremos obter a recuperação da economia; e, depois, você também terá de direcionar algumas reformas estruturais, de modo que você possa continuar crescendo depois disso, sem a ajuda dos preços das ‘commodities’ [produtos básicos com cotação internacional, como minério de ferro, petróleo e alimentos, cujos preços estão historicamente baixos] que você teve nos últimos anos.”

CNN: “Você está satisfeito que o Fed [Federal Reserve, o banco central dos EUA] não aumentou taxas [básicas de juros, mantidas entre 0% e 0,25%] ou você está preocupado que ele vá aumentar em dezembro [conforme sinalizou]?

Levy: “Bem, eu acho que é uma coisa natural que alguma hora o Fed aumente taxas. Não é natural ter taxas perto de zero por tanto tempo, você sabe os problemas de muitas economias ao redor do mundo, o problema da alavancagem [endividamento], acesso para financiar suas dívidas e outros problemas. Mas acho que o aumento [dos juros] pode ser uma coisa boa, um sinal de que as economias se recuperaram e estão mais saudáveis”.

Comento:

Joaquim Levy poderia ser muito mais claro sobre o governo que o emprega.

Em vez de culpar, na prática, o baixo preço das commodities pela crise, poderia ter dito, por exemplo, que o governo do PT:

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– aumentou gastos exponencialmente, de forma insustentável;

– distribuiu benefícios fiscais a setores escolhidos, com direito à suposta venda de medidas provisórias a montadoras de veículos;

– não tomou providência alguma mesmo diante do aumento do rombo nas contas do INSS e da previdência pública;

– hostilizou todos os especialistas que apontaram os riscos de suas políticas para a situação econômica do país;

– maquiou as contas federais, cometendo o crime das pedaladas fiscais ao usar bancos públicos para pagar suas despesas;

– atrasou o ajuste fiscal para vencer uma eleição com promessas que sabia que não podia cumprir por falta de dinheiro;

– tornou esse ajuste, em virtude do atraso criminoso, ainda mais duro para a população, obrigada a pagar a conta duas vezes;

– e nem vou falar do maior esquema de corrupção da história do mundo na Petrobras, do déficit primário de R$ 60 bilhões sem “quitação” das pedaladas, do PIB que só voltará ao nível de 2013 no fim de 2019, da recessão prevista para 2015 e 2016 que vai reduzir o tamanho da economia brasileira, e demais problemas do Brasil adiado de Dilma Rousseff.

Mas ok, Levy. Dilma não falaria melhor.

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Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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