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Brasil sem criatividade em empate com México – Era partida muito engraçada, não tinha gol, não tinha nada

Por Felipe Moura Brasil
Atualizado em 31 jul 2020, 03h39 - Publicado em 17 jun 2014, 21h47

felipao0brasil-mex-01-size-598Com Ramires no lugar de Hulk, o Brasil, na prática, entrou em campo com três volantes contra o México, que parecia ter cinco. É de se compreender a cautela de Felipão, mas como furar uma retranca bem armada com apenas dois jogadores criativos de maior precisão: Oscar e Neymar? Os laterais Marcelo e Daniel Alves, muito embora mais livres para atacar com tamanha retaguarda no meio-campo, erraram quase todos os passes lá na frente, com a afobação de sempre, assim como os volantes – e Fred passou mais um jogo ausente, isolado na área. Ajeitou uma bola de cabeça para Ramires em impedimento, recebeu duas impedido, furou outra após um passe de Marcelo, e praticamente recuou de cabeça mais uma para as mãos do goleiro Ochoa. O atacante sairia de campo em parte vaiado no segundo tempo para a entrada de Jô.

SOCCER-WORLD_M17-BRA-MEX-GL61NECUJ.1Por volta dos 25 minutos da primeira etapa, com o México melhor em campo, a torcida teve de começar a fazer ola para não dormir no estádio, até que Paulinho desperdiçou uma jogada de Neymar, mas, em seguida, Daniel Alves acertou um cruzamento e, mesmo sendo 10 cm mais baixo que Rafa Márquez, Neymar subiu e cabeceou para a bela defesa de Ochoa no canto direito. Neymar também tentou dar uma arrancada no meio de três, mas veio o quarto para desarmá-lo e mostrar que a seleção mexicana não é o XV de Piracicaba (nem o Flamengo). Sem triangulação, nada feito, parceiro.

foto(85)O México marcava em cima Luiz Gustavo e Paulinho, dificultando as viradas de jogo do Brasil, que tinha de voltar a bola até a linha de zaga para passar de um lado a outro do campo. David Luiz, Thiago Silva, Luiz Gustavo e Oscar fizeram bons desarmes individualmente, como de hábito, mas a desorganização brasileira fazia com que todas as bolas espirradas sobrassem nos pés de Herrera ou Vázquez, livres para chutar a gol de fora da área, ainda que Júlio César só tenha feito uma defesa mais difícil. Com Layún explorando o espaço deixado por Daniel Alves e Aguilar o de Marcelo, Ramires acabou fazendo uma falta dura na cobertura do lateral do Real Madri e levou o cartão amarelo que decerto pesou para sua substituição no intervalo por Bernard.

O jogador do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, mais ofensivo e criativo que Ramires – e talvez até do que Hulk -, deu novo ritmo ao ataque brasileiro e, após grande jogada pela esquerda, fez ótimo cruzamento para Neymar, que dominou com elegância no peito e bateu para mais uma boa defesa de Ochoa. O Brasil se animou, fez uma ou outra boa tabela, mas desperdiçou novos contra-ataques com passes errados de Oscar, Neymar e do próprio Bernard, em enfiada torta para seu ex-companheiro de Atlético-MG, Jô.

OchoaGiovani dos Santos, Peralta e Guardado também se aproveitavam dos vacilos da proteção de zaga brasileira e chutavam a gol, até que, numa dessas, Thiago Silva se viu obrigado a dar um carrinho por trás em Hernández. Falta dura e cartão amarelo para o jogador do Paris Saint-Germain. Incapaz de botar o adversário na roda pelo chão, o Brasil teve sua última chance em novo cruzamento pelo alto, dessa vez em falta cobrada por Neymar para a cabeçada na pequena área desse mesmo Thiago Silva em cima de Ochoa – o nome do jogo, com mérito, mas também por pura falta de concorrência. Era partida muito engraçada, não tinha gol, não tinha nada…

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Durante Brasil 1 x 0 Sérvia, o último amistoso da seleção antes da Copa, eu provoquei no Facebook: “Furar retranca exige a paciência que o brasileiro não tem, a movimentação incessante sem a bola que o brasileiro não faz, a precisão que o brasileiro não se preocupa em desenvolver, e a inteligência que… bem, deixa pra lá. De modo que é sempre algo muito complicado para qualquer equipe brasileira.” Este empate em 0 a 0 com o México, em que pesem a qualidade do adversário e a falta de gols sofridos, veio apenas comprovar a minha tese. O Brasil, além de se embananar na cobertura, não tem mesmo tantos recursos criativos e continua dependendo demais de lances individuais para quem quer ganhar uma Copa do Mundo.

Felipão ainda tem muito que ensaiar esse time, antes que a torcida inteira durma.

Felipe Moura Brasil – https://www.veja.com/felipemourabrasil

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A propósito: Quem mandou o Felipão não me ouvir?

Montagem Marcelo penalti

Veja também a análise de Brasil 3 x 1 Croácia aqui no blog:

– As lições de Oscar na vitória do Brasil: serenidade, proteção de bola e técnica de desarme

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