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A resposta de Glória Pires ao veto de Bolsonaro à homenagem de Nise

Atriz interpretou no cinema a médica que marcou a história da psiquiatria no Brasil

Por Raquel Carneiro Atualizado em 8 jun 2022, 09h03 - Publicado em 6 jun 2022, 16h54

Em 2016, o filme Nise – O Coração da Loucura, com Glória Pires interpretando a psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999), arrebanhou brasileiros aos cinemas curiosos pela trajetória da médica que marcou a história do tratamento psiquiátrico no país, usando técnicas de terapia ocupacional. Corta para 2022: o presidente Jair Bolsonaro vetou, no mês passado, uma homenagem à médica, que seria inscrita no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria – honraria que demanda um projeto de lei e aprovação da Câmara antes de o nome do homenageado ser cravado em um livro de aço em Brasília. 

Em entrevista a VEJA, durante a divulgação de seu novo filme, A Suspeita, Glória Pires comentou o caso. “O que a Nise deixou, o legado dela, está aí. Não importa se ela está no livro ou não. Isso é muito pouco perto de tudo o que ela fez. O livro é que perde de não ter a Nise, e não o contrário”, disse a atriz. Pioneira da terapia ocupacional, Nise foi contrária aos tratamentos psiquiátricos agressivos da época, como eletrochoque, camisas de força e lobotomia. A médica dirigiu a área de terapia ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Rio de Janeiro, entre 1946 e 74. Também teve sua história marcada pela militância comunista durante a faculdade.

“A Nise viveu para o trabalho dela, com um nível de empatia imenso. Foi uma mulher de uma grandeza e inteligência que desafiam o momento de ignorância que temos vivido”, diz Glória. Quando a notícia do veto foi publicada, a atriz fez uma publicação em homenagem à Nise em seu Instagram. “Isso tudo me lembrou de uma história de um homem que ela acompanhou, que esculpia na madeira. Um dia ele pediu uma opinião para ela, que sugeriu que ele fizesse um livro. Depois, o homem voltou com a obra e mostrou que esculpiu um livro e em volta um coração e disse: ‘O livro sem o coração não presta’. Ela aprendia todos os dias, e é esse o legado dela: empatia e aprendizado.”

Segundo Jair Bolsonaro, a proposta de colocar o nome de Nise no livro, feita pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), representou uma “contrariedade ao interesse público”. Bolsonaro ainda afirmou que “não é possível avaliar a envergadura dos feitos da médica Nise Magalhães da Silveira e o impacto destes no desenvolvimento da nação, a despeito de sua contribuição para a área da terapia ocupacional”. “Ademais, prioriza-se que personalidades da história do país sejam homenageadas em âmbito nacional, desde que a homenagem não seja inspirada por ideais dissonantes das projeções do Estado Democrático”, diz o presidente. 

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