Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês
Educação em evidência Por João Batista Oliveira O que as evidências mostram sobre o que funciona de fato na área de Educação? O autor conta com a participação dos leitores para enriquecer esse debate.

As 100 palavras mais usadas nos livros infantis

Em 26 clássicos da literatura infantil, identificamos mais de 260 mil palavras diferentes. E as 100 palavras mais frequentes são palavras “sem sentido”. 

Por João Batista Oliveira 21 jan 2019, 09h17

Você sabe ou seria capaz de adivinhar as 100 palavras mais usadas nos livros infantis? E se você refletir por alguns instantes, seria capaz de desenvolver alguma hipótese sobre o tipo de palavras? Seriam as palavras mais ligadas ao dia-a-dia? Ao contexto? Aos objetos concretos? Às ações típicas da criança? À constelação familiar?

Ao iniciar um projeto para produzir uma coleção de livros para desenvolver fluência de leitura, identificamos um total superior a 260 mil palavras diferentes em 26 clássicos da literatura infantil. Desse total, as 100 palavras mais frequentes são palavras do tipo: a, que, como, onde, quem, por que, assim, etc. Ou seja: são palavras “sem sentido”.

Se você refletiu antes de formular sua hipótese sobre quais são as palavras mais usadas nos livros infantis, deve ter entendido aonde quero chegar: a maior parte do esforço para entender um texto reside em decifrar o significado das palavras que não têm sentido – aquelas que funcionam para explicar ou implicar as ideias umas com as outras – o que a gramática chama de anáforas e dêiticos.

Para compreender textos, é importante conhecer o sentido das palavras. Mas outras habilidades são igualmente importantes. Uma delas, que requer sempre muito maior esforço, consiste em estabelecer relações entre as palavras. Mesmo num texto do qual conhecemos todas as palavras, esse esforço é necessário. Por exemplo, para compreender a frase “Ontem ela disse que ele estaria aqui cedinho”, o leitor precisa fazer uma série de inferências a respeito de quando era ontem, quem era ela, quem é ele, onde é o “aqui” e assim por diante.

Por que estou tratando deste assunto neste post? Por causa da perspectiva de um debate sobre alfabetização e ensino da língua. Ajudar as crianças a compreender textos requer muito mais do que do que alfabetizar, sem dúvida. Aliás, cabe lembrar que podemos compreender sem saber ler – prova disso são os pré-escolares e os adultos analfabetos: saber ler e saber compreender são habilidades independentes. Para compreender textos escritos, além de ser alfabetizado, é essencial dominar as ferramentas da língua e mobilizar, de forma consciente, o conhecimento inconsciente que temos da sintaxe. Isso ocorre antes, durante e depois do processo da alfabetização.

As ideias veiculadas até hoje procuram estigmatizar a “alfabetização” como algo menor, secundário e que não possui sua identidade, características e métodos próprios. Ao mesmo tempo não ajudam a população a entender que o domínio da língua é algo permanente, que começa no berço e termina na cova. Alfabetização é algo específico, com princípio, meio e fim.  As palavras mais frequentes da língua são palavras sem sentido próprio. A alfabetização bem feita permite ao leitor identificar a palavra em qualquer texto ou contexto. O ensino e o domínio da língua permitem entender o seu sentido, no texto e com base no contexto. A ideia de que tudo tem que ter sentido e ser aprendido de forma contextualizada não passa de uma ideia – de resto, equivocada.

Continua após a publicidade


Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo de VEJA. Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app (celular/tablet).

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.



a partir de R$ 39,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet. Edições de Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)