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Blog É tudo história É tudo história Por Coluna O que é fato e ficção em filmes e séries baseados em casos reais

‘Inventando Anna’: o que é real na trama da Netflix sobre golpista de luxo

Série retrata jovem que convenceu a elite nova-iorquina de que era uma herdeira milionária — e, assim, desfrutou de luxos pelos quais não podia pagar

Por Amanda Capuano Atualizado em 25 fev 2022, 09h02 - Publicado em 17 fev 2022, 10h18

Anna Delvey é um nome conhecido da elite nova-iorquina. A russa, que, na verdade, carrega o sobrenome Sorokin, enganou ricaços de Manhattan fingindo ser uma herdeira alemã milionária. O caso é relatado em Inventando Anna, série da Netflix produzida por Shonda Rhimes que lidera a lista dos mais assistidos da semana na plataforma. Vestindo roupas de grife e dizendo a todos que tinha um fundo de 60 milhões de euros na Europa, Anna viveu uma vida de luxo por anos, e chegou a pleitear um empréstimo de 40 milhões de dólares para sua fundação, apoiada por nomes importantes do mercado americano. A história é tão absurda que parece irreal — a própria série alerta que “tudo o que é contado ali aconteceu de fato, exceto pelas coisas que foram inventadas”. VEJA mergulhou nas farsas de Anna Sorokin para apurar o que é fato e o que é ficção na série da Netflix. Confira a seguir:

Redenção jornalística 

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Anna Chlumsky como a jornalista Vivian Kent em Inventando Anna Netflix/VEJA.com

A série foi inspirada em uma reportagem da jornalista Jessica Pressler, publicada em 2018 na revista New York, na série renomeada como Manhattan Magazine. Pressler, que na produção teve o nome alterado para Vivian Kent (Anna Chlumsky) de fato sofreu um escrutínio público depois de ter publicado uma matéria em 2014 em que citava um adolescente que teria arrecadado 72 milhões de dólares no mercado de ações. Como mostra a produção, o garoto desmentiu a informação, o que afetou a carreira da jornalista. Quando o artigo sobre Anna Delvey foi publicado, no entanto, ela já não estava tão em baixa como faz parecer a série — em 2015, Jessica Pressler fez uma reportagem de capa na revista New York sobre um grupo de strippers que dava o golpe em ricaços da cidade. A história rendeu a ela uma série de prêmios e inspirou o filme As Golpistas, lançado em 2019.

Roubando um jatinho 

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Cena de Inventando Ana em que Anna Delvey (Julia Garner) rouba um jatinho para ir a evento de milionários Netflix/VEJA.com

Parece absurda, mas a passagem da série em que Anna rouba um jatinho para ir a um evento do ricaço Warren Buffett em Omaha realmente aconteceu. No artigo em que a série se baseia, Pressler cita que Anna conheceu o dono de uma companhia de jatos durante festinhas em Soho. Na produção, ela manda uma mensagem a ele pedindo por um jato, ele instrui sua equipe a ajudá-la. Os funcionários, então, dizem que ela não ofereceu uma opção de pagamento, mas ela diz que fez uma transferência e o dinheiro deve estar chegando — uma das mentiras mais usadas por Anna. 

Anna Delvey versus Fyre Festival 

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Ben Rappaport como Billy McFarland, fundador do fiasco Fyre Festival Netflix/VEJA.com

Depois de ser rejeitada pela maioria dos hotéis de Nova York, Anna passa um tempo na casa de um conhecido. Ele explica que está investindo em um projeto de luxo chamado Fyre Festival, voltado aos super-ricos. O festival real ficou famoso por ser um completo desastre — os ingressos foram vendidos por cifras altíssimas, prometendo shows exclusivo em um resort de luxo, mas os ricaços acabaram acomodados em barracas e sem comida. Sorokin, por mais doido que pareça, de fato passou meses morando com  Billy McFarland, o idealizador do festival que, assim como ela, acabou condenado por seus golpes. Em 2018, o site Page Six publicou uma nota dizendo que Anna, inclusive, pode ter dado um golpe no amigo golpista — ela teria pedido a Billy para ficar na sede de sua companhia de cartões de crédito por alguns dias, mas se recusou a sair e ficou por quatro meses.

Pesadelo em Marrocos

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Katie Lowes como Rachel Williams, amiga de Anna Delvy que acabou com dívida de 62 mil reais Netflix/VEJA.com
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A fatídica viagem a Marrocos realmente aconteceu. Além do artigo de Pressler, muito do que se vê na série foi tirado de um relato em primeira pessoa feito por Rachel Williams, a amiga de Anna que esteve presente na viagem e acabou com uma dívida de 62.000 dólares no cartão da empresa. Assim como mostra a produção, estavam na viagem Anna, Rachel, uma amiga personal trainer, na série chamada de Kacy, e um documentarista. A personal ficou doente e foi embora logo, enquanto os três permaneceram no hotel. Quando os cartões de Anna foram recusados, Rachel foi pressionada a dar o seu como caução, até que tudo fosse resolvido. A parte em que Rachel é intimidada em um passeio de fora do hotel, no entanto, não teria acontecido. É o que diz a própria. Rachel realmente pagou pela visita, mas isso, ao contrário do que mostra na série, aconteceu antes que seu cartão fosse confiscado, e ela não teve que voltar ao hotel e ser escoltada sozinha para pagar a conta. A amiga da golpista, ao contrário do que mostra a produção, voltou sozinha para casa, e não com o documentarista. Anna, no entanto, como mostra a série, acabou se livrando da condenação pelo golpe em Rachel, e a dívida do cartão de crédito foi perdoada pela operadora. 

Chá exclusivo na cadeia 

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Cena em que Anna Delvy e Vivian Kent conversam na cadeia em Inventando Anna Netflix/VEJA.com

O presídio de Riker Island de fato tem salas exclusivas para jornalistas. Para usá-las, é preciso um agendamento prévio e os repórteres escapam do ônibus comum que transita pelo local. O tratamento vip na cadeia, no entanto, foi liberdade poética da Netflix para enfatizar o status de diva pop que Anna tinha na sociedade nova-iorquina. Em entrevista ao The New York Times, a farsante disse que nunca recebeu chá em xícaras de porcelanas na cadeia. Os visitantes tinham apenas acesso a uma máquina comum de café. 

Desfile de moda no tribunal 

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Anna Delvy (Julia Garner) durante julgamente, onde trocou de roupa várias vezes Netflix/VEJA.com

Anna teve mesmo a ajuda de uma estilista para se vestir para o tribunal. Segundo uma jornalista do New York Times que cobriu o julgamento, uma das sessões chegou a ser atrasada em mais de 1 hora porque ela se recusava a vestir o que tinha disponível. Assim como mostra a produção, os modelitos da ré foram compartilhados na internet — com direito a um perfil inteiramente dedicado a eles no Instagram, que realmente existe, e está ativo até hoje.. Não foi Jessica Pressler, a jornalista que inspira a personagem Vivian, porém, que saiu no desespero atrás de roupas para ela. Esse trabalho ficou para uma sócia do advogado de Anna, instruída a gastar até 200 dólares em algo que não gritasse “encarcerado”. As roupas, inclusive, são bem parecidas com as usadas na série, mas a Anna da vida real não ouviu o seu veredito vestindo branco — na verdade, ela estava de preto.

Fingir como Frank Sinatra

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Arian Moayed como advogado de Anna Delvey Netflix/VEJA.com

Assim como na série, o advogado de Anna realmente comparou a garota a Frank Sinatra durante seu discurso de abertura. No discurso, ele diz que Sinatra, no início de sua carreira, pagava garotas para que cantassem, gritassem e até fingissem desmaios em seus shows, para ajudar que ele se tornasse um fenômeno — o que aconteceu de fato. A estratégia, nesse sentido, era dizer que, assim como Sinatra, Anna também teve que fingir para chegar onde queria e que, apesar de desleal, isso não seria um crime.

Invasão a domicílio 

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Vivian Kent viajou para a Alemanha para encontrr os pais de Anna Netflix/VEJA.com

Depois que sua reportagem de capa foi publicada, Vivian viajou para a Alemanha para encontrar os pais de Anna. A viagem aconteceu na vida real. Em entrevista à Vulture, a jornalista disse que tinha tanto material sobre ela que pensava em escrever um livro. No entanto, logo desistiu e afirmou à publicação que, ao contrário do que mostra a série, nunca tentou invadir a casa dos pais de Anna.

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