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Diário da Vacina Por Laryssa Borges A repórter Laryssa Borges, de VEJA, relata sua participação em uma das mais importantes experiências científicas da atualidade: a busca da vacina contra o coronavírus. Laryssa é voluntária inscrita no programa de testagem do imunizante produzido pelo laboratório Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson.

No trágico aniversário da pandemia, que máscara usar?

Os equipamentos do tipo 'peça facial filtrante’ retêm névoas e poeiras e são um eficiente filtro contra minúsculas partículas que podem carregar o vírus

Por Laryssa Borges Atualizado em 11 mar 2021, 17h31 - Publicado em 11 mar 2021, 15h11

11 de março, 14h12: No varal de casa, seis máscaras do tipo PPF-2, certificadas pelo Inmetro, aguardam, com pregadores identificados por data de uso, o dia em que serão novamente utilizadas por mim. Tenho uma última, ainda lacrada, para o caso de uma emergência. Com comércios fechados, toque de recolher na cidade e o vírus em franca proliferação, achei por bem reservar pelo menos uma como precaução.

Quando os imunizantes estiverem disponíveis para uma grande parcela dos brasileiros, apesar de a cada dia as previsões de entrega serem revistas para baixo, teremos a mais importante ferramenta de controle da proliferação da doença. Até lá, o único modo de conter a Covid é adotarmos o isolamento para reduzir ao máximo a chance de troca de micro gotículas e aerossóis que possam, sem nem mesmo sabermos, estar carregando o coronavírus. Nos, espero que raros, momentos em que cada um tiver se sair de casa, as máscaras serão nossos escudos. Mas que máscara?

As do tipo ‘peça facial filtrante’, as agora já famosas PFFs. Isso porque elas retêm névoas, poeiras, fumos e são um eficiente filtro contra minúsculas partículas que podem carregar o vírus. Quanto maior o número da sua PFF, maior é a eficiência dela.

Quando máquinas geram aerossóis como poeira, por exemplo, a máscara indicada é a PFF1, que tem proteção mínima de 80%. Se o caso for se proteger contra partículas sólidas formadas pela condensação de vapores, como em uma solda, a perfeita é a PFF2. Esta, aliás, é a mais recomendada por especialistas e divulgadores científicos como proteção individual contra o novo coronavírus. Ela tem eficiência mínima de 94% e baixa penetração das partículas por suas camadas.

Um dos artefatos de proteção individual com o qual me deparei como voluntária de uma vacina experimental é a PPF3, indicada contra partículas altamente tóxicas. Tem a maior eficácia de todas, 99,7%, e penetração máxima de apenas 0,03%. Será que é o caso de adotá-la em ambientes com alto risco de contágio, como em saguões de aeroportos? Ouvirei cientistas a respeito.

Apesar de todas as orientações sobre as PFFs e instruções de órgãos de vigilância sanitária mundiais para que abandonemos as antigas máscaras caseiras de tecido que fizemos artesanalmente no início da pandemia e que descartemos as que tiverem sido lavadas por cerca de 30 vezes (porque as fibras originais provavelmente já estão esgarçadas), sempre fica o alerta mais básico. Não importa quão potente é a máscara que você usa se o nariz ficar destapado, se os elásticos já estiverem frouxos ou se o tamanho dela for desproporcional ao rosto, permitindo a entrada de ar pelas laterais ou pelo queixo.

Nos Estados Unidos uma em cada quatro pessoas já recebeu pelo menos a primeira dose de uma vacina contra a Covid. No Brasil, novo centro mundial de contágios, amargamos o status de nação com o maior número de mortes no planeta, uma trágica posição de destaque no primeiro ano de pandemia. Por tudo isso, ao sair de casa, use a máscara bem ajustada no rosto.

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