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Crônicas de Peso

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O cirurgião bariátrico e pesquisador na área de obesidade Cid Pitombo reflete, em seus textos, sobre alimentação, movimento, ganho... e perda de peso

O ‘candidato’ honesto e a luta desigual pela prescrição correta

Colunista reflete sobre a sedutora política do dinheiro que tem atraído alguns médicos e levando a tratamentos inadequados

Por Cid Pitombo 16 jun 2026, 18h45
O ‘candidato’ honesto e a luta desigual pela prescrição correta Priorize VEJA no Google

Em um ano eleitoral, não poderíamos deixar de viajar nesse mundo entre o certo e o errado. Na comédia da vida real, o brilhante ator Leandro Hassum, amigo e paciente, vivencia um político corrupto que é amaldiçoado por sua avó no leito de morte e fica na obrigação de falar a verdade, ser honesto. O próprio Leandro, ao emagrecer e viver no seu corpo real e verdadeiro, sofreu críticas de desinformadas pessoas que não têm ideia do que é conviver com a obesidade, uma doença crônica.

Hoje, vivemos uma revolução na medicina vinda de pequenas moléculas chamadas peptídeos, caso das canetas antiobesidade — também conhecidas como canetas emagrecedoras —. Médicos de diversas especialidades, mesmo longe de exercer o que estudaram, veem nesse universo um caminho de lucro e glamour. E como no Congresso Nacional, a corrupção e a desonestidade acompanharam esse enredo.

Assim como, na política, um deputado tem um salário limitado, os médicos honestos que atendem com cuidado, seguem as regras de estudos científicos e aplicam preços lógicos, acabam não sendo os mais conhecidos, os que tem mais votos (seguidores) e, muitas vezes, são julgados por estarem falando a verdade.

E o mais injusto, exatamente esses são os que ganham bem menos por não aceitarem serem corrompidos pela falsa ciência e falta de prudência. Por outro lado, aqueles que mais bravejam, prometem, fazem campanhas muito bem-feitas em suas redes e gabinetes (consultórios), estão ganhando as eleições.

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Como nas políticas sociais, fazem promessas de construções de músculos, pontes de perdas de peso e praças de beleza. Mas o lado sombrio também está presente, com estradas de anabolizantes, cimento à base de peptídeos de qualidade duvidosa e efeitos sem nenhum estudo ou planejamento.

A enorme e envolvente rede de mentiras tem se multiplicado de forma perigosa em nosso país, e não estamos falando de políticos, mas sim de médicos, especialistas, não especialistas, recém-formados e profissionais de saúde não médicos de todas as áreas adentrando no sórdido jogo de prescrever, medicar, injetar e postar sem se preocupar no que vai dar.

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Voltamos à era dos galhardetes, panfletos e propagandas induzindo ao voto. Do outro lado, profissionais sérios, dedicados a uma política de prevenção e cuidado de doenças que a cada dia que passa perdem espaço para o lado que está com maior poder econômico.

A luta tem se tornado desigual, assim como acontece nas diferenças entre os tamanhos dos partidos. E há algo em comum entre políticos corruptos e médicos que adotam práticas antiéticas, traindo a confiança que a sociedade ou os pacientes depositaram neles. A corrupção não se limita ao desvio de dinheiro público. Ela também acontece quando profissionais colocam interesses pessoais, financeiros ou de prestígio acima da segurança e da vida das pessoas.

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Tornou-se difícil convencer um jovem deputado, quer dizer profissional de saúde, que o correto é que ele viva do seu próprio rendimento, cuide do povo (paciente) como prioridade e utilize os recursos (medicamentos) de forma correta e planejada. Isso porque existe um lado enraizado em nosso país dizendo que o “correto” é dar ao povo o que ele quer: músculos, magreza e beleza, independente de qualquer comprovação científica, ganhar dinheiro super faturando obras (remédios) e fazer promessas que se não forem cumpridas pouco importa, desde que tudo esteja bem pago.

A honestidade sempre foi o pilar básico dos médicos, assim como o saber, entender, compreender e cuidar. Nunca foi uma profissão de milionários e ficávamos felizes quando recebíamos um chocolate ou uma garrafa simples de vinho como gratidão. Hoje, isso tudo parece estar acabando e milionários médicos que enriquecem às custas da ignorância do povo tentam de alguma forma difundir esse caminho como o correto.

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A sedutora política do dinheiro agora não veste somente terno e gravata, veste jaleco e nos corredores do congresso, nesse caso da área de saúde, o assunto não é mais o aprender ou o discutir e, sim “como posso ganhar dinheiro”.

Como água e óleo, esse era um assunto que jamais deveria se misturar na área da saúde, até porque médicos sempre gostaram mais de café,
às vezes com leite e, esses sim, se misturam com perfeição.

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