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Crônicas de Peso

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O cirurgião bariátrico e pesquisador na área de obesidade Cid Pitombo reflete, em seus textos, sobre alimentação, movimento, ganho... e perda de peso

Da Kodak à bariátrica: inovação atropela mesmo potências consolidadas

Colunista compara avanço das canetas contra obesidade no mercado com o sucesso das câmeras digitais

Por Cid Pitombo 26 ago 2026, 14h00 | Atualizado em 2 set 2026, 16h08
Da Kodak à bariátrica: inovação atropela mesmo potências consolidadas Priorizar nos meus resultados Google

Uma história de um erro de percepção levou a empresa Kodak, que dominava o mercado mundial de fotografia analógica, a um prejuízo bilionário e, com isso, à sua falência. Seus próprios engenheiros desenvolveram, em 1975, a primeira câmera fotográfica com tecnologia digital, mas os executivos da empresa não acreditaram na ideia, até porque, na época, ela dominava toda a cadeia de produção.

Vendia as câmeras, os filmes e a revelação. Era uma combinação perfeita para ganhar dinheiro. Acreditar em algo que iria acabar com o maior lucro da empresa, vender filmes, parecia uma ideia sem nexo.

Erraram, demoraram e perderam. Em um paralelo, temos a cirurgia bariátrica, que anda experimentando algo muito parecido.

Desde a década de 1950, a cirurgia bariátrica vem evoluindo e ajudando milhões de pessoas que vivem com obesidade grave a reverter e controlar sua doença. Como na empresa fotográfica, para ter bons resultados, as equipes cirúrgicas detêm toda a cadeia de cuidado: os filmes (a equipe de preparo), a câmera analógica (o cirurgião e o centro cirúrgico) e a revelação (os cuidados pós-operatórios).

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Por anos, essa sistematização manteve o mercado, bem como os rendimentos. Mas uma máquina digital chamada popularmente de “caneta emagrecedora” foi criada. Inicialmente com apenas 1 megapixel, quero dizer, miligrama, mas, ao revelar suas imagens (efeitos), apresentou um resultado extremamente nítido e, a partir desse momento, cada vez menos pessoas queriam buscar outra opção.

Diferentemente das máquinas fotográficas digitais, que demoraram cerca de 20 anos para evoluir, os chamados peptídeos têm um poderoso zoom na perda e controle da obesidade. E o avanço tecnológico parece diário.

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Além disso, possuem botões que ajustam o diabetes, doenças cardiovasculares, patologias hepáticas e renais e, a cada dia que passa, novas opções são exibidas, com imagens/resultados mais definidos e nítidos para os pacientes e para a classe médica.

Os modelos iniciais da “marca” liraglutida tiveram menor aceitação popular, apesar de funcionarem bem em situações específicas. Avançamos para as poderosas “lentes” da semaglutida (Ozempic), que virou um fenômeno mundial de compras, desaparecendo das prateleiras com rapidez. Demonstravam facilidade na manipulação, produzindo uma imagem mais magra e saudável para os que as usavam.

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A indústria de imagens se difundiu por todo o mundo e novas empresas desenvolveram “câmeras” ainda mais potentes e com menos efeitos colaterais. Chegou a geração das Ultra HDs com apresentações em diversos megapixels (miligramas), chamada de tirzepatida (Mounjaro).

A possibilidade de vários tipos de lentes/miligramas, associada a uma maior nitidez dos resultados, bem como a menos efeitos indesejáveis, a tornou líder do mercado.

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Mas a indústria da falsificação mostrou-se alerta a esse negócio bilionário e iniciou a produção em massa de modelos de procedência duvidosa, com defeitos de fabricação, sem nenhuma garantia de fábrica, e a “imagem” promovida pelas suas “lentes” provavelmente poderia ter alguma ou muita deformidade, com um resultado bem embaçado.

Com a enorme procura, rapidamente novas pesquisas se desenvolveram com foco na reversão de doenças como obesidade e diabetes. Ainda em fase de teste, chegará a retatrutida, que promete resultados ainda mais potentes. E, mesmo sem ter sido autorizada para venda, dizem ter “roubado” esse segredo industrial, e já é possível encontrá-la em plataformas da internet, ainda que tenha uma composição completamente diferente da original.

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Para a cirurgia bariátrica, assim como para a Kodak, seu legado permanece e suas câmeras/cirurgias ainda serão objetos de procura, mas para um público cada vez mais específico: o que não se adaptou à tecnologia das novas canetas/câmeras, o que não tem recursos para comprá-las ou aquele que não terá como obter a imagem/corpo com a técnica digital/peptídeos e, somente a velha e boa câmera/cirurgia saberá revelar o resultado que ele deseja.

Porque para imagens/obesidades que estão muito distantes, ainda é a velha e eficiente máquina da cirurgia que poderá alcançar a nitidez de um resultado adequado.

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