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Crônicas de Peso

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O cirurgião bariátrico e pesquisador na área de obesidade Cid Pitombo reflete, em seus textos, sobre alimentação, movimento, ganho... e perda de peso

Canetas emagrecedoras, o povo Sami e a importância da família

Como os habitantes de regiões da Suécia, Noruega, Finlândia e Rússia, os pesquisadores enfrentam "invernos difíceis", mas precisam continuar caminhando

Por Cid Pitombo 27 jan 2026, 14h00
Canetas emagrecedoras, o povo Sami e a importância da família Priorize VEJA no Google

Continuo a minha jornada pelo mundo, agora nos países nórdicos, tentando entender um pouco melhor os mecanismos dessas novas medicações chamadas “canetas emagrecedoras”, pois foi aqui, mais especificamente na Dinamarca, que tudo começou. E mais ao Norte, pude conhecer e conviver com o povo Sami e entender como sobrevivem a condições tão extremas por milhares de anos.

Este povo habita países como Suécia, Noruega, Finlândia e Rússia e se caracterizam por serem nômades e acompanharem as manadas de renas nas condições mais extremas de frio, pois esses animais lhes dão carne, agasalhos com sua pele, utensílios com seus chifres, cascos e ossos e alguma renda quando param próximos a cidades. Mas o que me chamou mais atenção nas histórias que ouvi em uma tenda aquecida por um fogo a lenha no centro foi eles dizerem que a peça mais importante do quebra-cabeça para sobreviverem por tantos anos é a família.

Muitos não conseguem imaginar como é o processo de uma grande pesquisa para descobrir algo que irá mudar a vida de milhões de pessoas e poucos valorizam essa longa jornada. Instituições públicas e privadas, governos e até Universidades, por incrível que pareça, muitas vezes não investem ou não acreditam nesse árduo caminho. A jornada de um pesquisador é como de um povo isolado como os Samis: ele sabe que tem que continuar caminhando, mesmo com todas as adversidades. Ele dorme mal, come mal, troca o dia pela noite, tem dificuldade em conseguir seu alimento (recurso) e, como nas geleiras nórdicas, sabe que todo o seu esforço não está sendo visto ou admirado. Pode até acontecer da pesquisa não o levar a lugar nenhum, mesmo após uma longa jornada de estudos.

Outra similaridade entre esses dois povos, Samis e pesquisadores, é que devido à dedicação extrema, é comum é que se casem entre eles e formem famílias de pessoas da mesma área. Família Sami e Família de Pesquisadores. E mais uma vez esses povos mostram muita igualdade, pois ao trabalharem juntos, se entendem e se ajudam no dia a dia adverso, criam seus filhos mostrando a importância que eles têm e o valor de sua cultura. A ausência dos pais é algo normal nesses povos, uns saem para caçar e outros pesquisar, mas ambos precisam muito de um lar, uma tenda, carregada de amor, carinho e admiração quando voltam de dias ou semanas de árduo trabalho. Nas histórias que ouvi de um casal com vestimentas típicas, que foram desenhadas e tecidas por suas próprias mãos, é que precisam da estrutura familiar. Estamos falando de um povo que aprendeu, independentemente de qualquer orientação religiosa, que a família é necessária para sobrevivermos física e mentalmente.

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Imaginem o quanto foi difícil o caminho enfrentado pela família de Marie e Pierre Curie, que durante 11 anos se dedicaram aos estudos de elementos radioativos e descobriram o RX. Peter e Rosemary Grant que se isolaram nas Ilhas Galápagos e produziram uma das maiores obras sobre a evolução, Irene e Frederic Joliot-Curie no desenvolvimento da energia nuclear. E a pesquisadora Dinamarquesa Lotte Bjerra Knudsen que participou do desenvolvimento da Liraglutida e Semaglutida (Ozempic). Enquanto sua família a esperava amorosamente em casa e devido a essa estrutura que a equilibrava, ela desenvolveu uma molécula que hoje é injetada em milhões de pessoas ao redor do mundo, salvando vidas e compensando doenças como obesidade e diabetes.

No isolamento do frio ártico ou das câmaras geladas dos laboratórios, vagam “povos” dedicados à sobrevivência. Os Samis, do seu próprio povo e, os pesquisadores, de todos nós. Mas ambos com a mesma sabedoria: não esperam glórias, agradecimentos, respeito ou admiração. Não há tempo para isso.  O que eles têm certeza é de que quando voltarem para a as suas “tendas”, tudo que precisam estará lá: a família.

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