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O cirurgião bariátrico e pesquisador na área de obesidade Cid Pitombo reflete, em seus textos, sobre alimentação, movimento, ganho... e perda de peso

As Cruzadas do SUS: uma guerra que vale a pena travar

Do cinema à realidade, a metáfora das guerras ajuda a entender os desafios — e a importância — do maior sistema público de saúde do mundo

Por Cid Pitombo 24 mar 2026, 18h00 | Atualizado em 24 mar 2026, 18h38
As Cruzadas do SUS: uma guerra que vale a pena travar Priorize VEJA no Google

As Cruzadas representam uma das fases mais conturbadas da nossa história, quando religião, política e poder se aproximaram muito e, de alguma forma, com objetivos que não eram a base de seus princípios existenciais.

No filme A Cruzada, essa enigmática história é demonstrada de forma espetacular, e o confronto religioso entre reis revela como podemos — ou não — ser compreensivos e respeitosos com opiniões e conceitos divergentes. As batalhas são sangrentas, e ambos os lados seguem seus rumos levados por ideais de poder sobre algo que deveria pertencer a todos: a Terra Santa.

Nesse momento, de forma um pouco atualizada, vivemos uma guerra na mesma região, onde povos que convivem há milênios não aprenderam com o passado e, novamente, utilizam armas para se impor. A história se repete: nenhum lado ganha, todos perdem, principalmente aqueles que têm fé. Pela primeira vez na história, o Santo Sepulcro foi fechado.

Criar uma harmonia universal entre os povos não é fácil, seja no campo de batalha ou na vida. E hoje estou aqui para falar do nosso Sistema Único de Saúde (SUS), o maior sistema público de saúde do mundo.

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Há pouco mais de três décadas, uma cruzada de boas intenções marchou com o intuito de promover saúde e atendimento em um imenso e desafiador território chamado Brasil. As batalhas iniciais não foram fáceis. Foi preciso invadir e modificar a casa das leis, construir estruturas de atendimento, organizar toda a logística de um arsenal de medicamentos capazes de atingir os mais diversos tipos de doenças, além de mobilizar recursos oriundos dos impostos e realocados de outras áreas para salvar vidas.

As marchas envolveram diversos soldados da saúde e estrategistas. Passado esse tempo, em muitas regiões, as vitórias foram significativas e, diferentemente da guerra, em vez de baixas, tivemos muitas vidas salvas.

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Na verdade, como em toda guerra, ainda existem batalhas acontecendo em várias cidades, onde faltam suprimentos, soldados (profissionais de saúde), insumos e equipamentos. Em muitos casos, a população dessas regiões não é atendida de forma adequada pela tropa local. A luta é diária e contínua, mas é preciso reconhecer que se trata de um exército que tem lutado — e, distintamente das guerras tradicionais, luta por um mesmo objetivo: a vida.

Apesar de vivermos em um mundo diverso no que diz respeito a raças, religiões, políticas e culturas — o que é positivo, pois amplia nossas possibilidades —, a saúde deve ser uma causa de todos.

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Que as novas cruzadas nos ensinem a perdoar e ser perdoados, a compreender e ser compreendidos, a amar e ser amados. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado. E, neste campo de batalha chamado mundo, existem pessoas que precisam de hospitais de campanha, com médicos, remédios, cirurgias e, muitas vezes, de uma boa oração ou de uma palavra de apoio.

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