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Tempo ao tempo

Por que é fundamental saber fazer pausas na vida

Por Lucilia Diniz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 14 Maio 2024, 00h18 - Publicado em 14 jul 2023, 06h00

“A maioria das pessoas imagina que o importante, no diálogo, é a palavra. Engano: é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão”. A frase, que me veio à mente outro dia, é de Nelson Rodrigues. Pode parecer engraçado um escritor, e ainda mais um tão conhecido por suas tiradas impiedosas, valorizar o que se deixa de dizer. Mas, em tempos de mídias sociais, o pensamento ganha atualidade renovada.

Pelos aplicativos de conversa, alinhamos palavra atrás de palavra, no afã de dizer logo o que temos a dizer. Nem que seja com um coração ou uma curtida, temos pressa de responder a tudo que nos chega. Pois o silêncio após uma mensagem sugere que o interlocutor não esteja dando a devida consideração ao que se disse, embora, em muitos casos, esteja apenas fazendo outra coisa. Não se registra mais como antes o tempo de falar e o de calar.

Na falta de um guizo pendurado no pescoço a sinalizar por onde andamos, carregamos conosco o tempo todo uma orquestra de campainhas que nos perseguem. Sempre podemos ser encontrados. Não estou aqui nostalgicamente lamentando a perda de uma era em que, por exemplo, para se tomar uma decisão, era preciso um encontro físico ou o deslocamento de um documento pelo correio, o que poderia levar dias ou semanas.

“Pelos aplicativos, alinhamos palavra atrás de palavra. Não se registra mais o tempo de falar e o de calar”

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Há imensas vantagens em podermos nos comunicar com pessoas em qualquer lugar, mesmo do outro lado do mundo, por escrito, por voz ou por vídeo. Mas gostaria, sim, de lembrar a importância de simplesmente fazer pausas. E pensar. Toda essa correria pode levar a respostas irrefletidas. Um momento para somente ouvir, sem responder, ao que o outro diz não é um sinal de falta do que dizer, mas de respeito ao que foi colocado. A escuta não é passiva, ela produz sentido. Saber calar pode ser, ainda, a medida da intimidade. É comum ouvir falar nos “silêncios constrangedores” que se produzem entre pessoas que não se conhecem bem. Ora, em um casal, quando há amor, não há incômodo em ficar quieto lado a lado. Assim como as pausas são fundamentais na comunicação, elas também são necessárias ao nos movimentarmos. É preciso saber dar descanso ao corpo. É nessa trégua que os músculos se recuperam e se recarregam de energia para voltar à ativa. Até para sentir o bem-estar que o exercício traz, precisamos de um tempo.

Da mesma forma, todos sabemos que é importante comer com consciência — não só do que é servido no prato, mas também de que estamos diante de um prato! O hábito de comer diante da TV ou do celular atrapalha a forma como assimilamos a alimentação. A mente também rende melhor se houver um tempo para desanuviar. Intervalos no trabalho servem para melhorar o foco, e vários métodos de concentração valorizam essas paradas. Mesmo o mundo corporativo vem assimilando a noção de que respiros trazem ganhos para a produtividade e o bem-estar. Descansar a mente, ainda que seja por poucos minutos, é benéfico. Isaac Newton não teria como descobrir a gravidade observando a queda de uma maçã se, antes, não tivesse se permitido sentar debaixo de uma árvore. É um grande prazer vermos, ao fim do dia, que demos conta de tudo. Seria bom também nos lembrarmos de incluir, nesse tudo, lacunas para dar tempo ao tempo.

Publicado em VEJA de 19 de julho de 2023, edição nº 2850

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