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Claudio Lottenberg Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Hospital Albert Einstein

União de cores contra o câncer

Exames preventivos frequentes são fundamentais para evitar a doença em homens e mulheres

Por Claudio Lottenberg 5 out 2020, 08h36

O câncer de próstata é um tumor que se desenvolve na próstata, uma glândula do sistema reprodutor masculino. Resulta de uma multiplicação desordenada das células da próstata: quando há presença de câncer, a glândula endurece. Na maior parte dos casos, é de crescimento lento (ainda que alguns cresçam de modo relativamente rápido). As células cancerosas podem espalhar-se a partir da próstata para outras partes do corpo, particularmente ossos e linfonodos. No início pode ser assintomático – em 95% dos casos, os sintomas só aparecem em estágio já avançado –, mas em estágios avançados pode causar dificuldade ou dor para urinar, presença de sangue na urina ou dor na pelve ou nas costas. Os sinais clínicos são muito semelhantes aos do aumento simples da próstata e, portanto, é importante avaliação médica para qualquer tipo de impressão diagnostica.

Exames preventivos frequentes são fundamentais para que a doença não seja descoberta em estado avançado. Homens a partir dos 50 anos de idade (ou 45, se houver casos de câncer de próstata na família), devem procurar um urologista anualmente para realizar os exames preventivos. Um desses exames é o toque retal. O exame é rápido e indica se a próstata apresenta algum tipo de alteração. Caso a alteração seja detectada, o médico pode solicitar outros exames para confirmar o diagnóstico, como o PSA (Antígeno Prostático Específico, na sigla em inglês), o ultrassom transretal e a biópsia da glândula (retirada de fragmentos da próstata para análise). Só então é feito o diagnóstico. O toque retal que é a base para o raciocínio médico – portanto, não pode haver preconceito em relação a esse exame.

O câncer de mama é um tumor maligno que se desenvolve na mama como consequência de alterações genéticas em algum conjunto de células locais, que passam a se dividir descontroladamente. Esse é o tipo de câncer que mais mata mulheres em todo o mundo – e com cerca de 60 mil novos casos por ano no Brasil, é o segundo mais comum no país (atrás apenas do câncer de pele não melanoma). A característica mais comum da doença é o surgimento de um nódulo nas mamas ou axilas geralmente indolor. Além disso, o paciente pode apresentar outros sinais menos frequentes.

Mas o diagnóstico não é o fim: as chances de cura chegam a 95% dos casos quando o tumor é detectado no início. Todos os anos, a campanha Outubro Rosa busca conscientizar sobre a importância da prevenção e do tratamento correto do câncer de mama, mas pesquisas mostram que é preciso fazer mais. Embora a mamografia a partir dos 40 anos seja essencial para o diagnóstico precoce, a adesão a este exame de imagem é ainda um dos entraves para vencer a doença.

A prevenção do câncer de mama não é totalmente possível em razão dos múltiplos fatores relacionados ao surgimento da doença e ao fato de vários deles não serem modificáveis – mas além de realizar exames preventivos com frequência, adotar alguns hábitos de vida saudáveis pode diminuir o risco: dieta balanceada, atividade física, não fumar, evitar sobrepeso, entre outros. De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que por meio de alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama. Neste ano, algumas organizações associaram as cores rosa e azul para trabalhar em conjunto na conscientização sobre o câncer mais prevalente nos homens e o câncer mais grave entre as mulheres.

A tecnologia tem avançado muito tanto para diagnosticar como para tratar esses dois tipos de doenças. Entretanto, nada mais importante que o conhecimento por parte da população a respeito de questões básicas que podem permitir ação antecipada – o que melhora muito o prognóstico e a saúde populacional.

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