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Claudio Lottenberg

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Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente institucional do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Hospital Albert Einstein
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Só a vacinação impedirá novas ondas de Covid-19

A menos que o programa nacional ganhe velocidade, veremos a terceira onda chegar e agravar ainda mais a situação já crítica em que o país se encontra

Por Claudio Lottenberg
Atualizado em 24 Maio 2021, 18h30 - Publicado em 24 Maio 2021, 18h29

A vacinação contra Covid-19 progride em ritmo lento e inconstante no Brasil, e a chegada do inverno favorece não só as aglomerações em espaços fechados como a transmissão de mais doenças do trato respiratório. Essa combinação pode ser trágica, porque tende a favorecer a chegada do que tem sido chamado de terceira onda da doença. A menos que o PNI (Programa Nacional de Imunização) ganhe velocidade, veremos essa onda chegar e agravar ainda mais a situação já crítica em que o país se encontra.

O conceito de onda se baseia na representação estatística do comportamento da doença, que se caracteriza por reduções seguidas de elevações nos números de casos confirmados. O indicador que mostra a gravidade da transmissão da covid no país é a chamada R(t) – ou taxa efetiva de reprodução: quando é igual a 1, cada infectado contamina uma pessoa; acima disso, pode infectar mais de uma. O R(t) precisa ficar abaixo de 1 para que se veja uma contenção na transmissão. Desde o dia 4 de maio, no entanto, esse indicador está acima de 1, segundo pesquisadores de Unesp e USP. Autoridades de saúde têm alertado para o risco recente de uma elevação dos números tanto de casos confirmados – que já são mais de 15 milhões – como de óbitos – que já ultrapassaram a marca de 440 mil.

O país ainda está no limite de recursos para tratamento de pacientes nos hospitais devido à sempre iminente falta de insumos, como do kit intubação (os medicamentos para que se possa realizar esse procedimento), e à situação das UTIs, ainda em patamares preocupantes. O relatório mais recente da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) mostra que a média de ocupação das unidades para adultos ficou em 82,2% entre o fim de abril e o início deste mês. Caso haja um avanço expressivo no número de casos, poderemos voltar ao cenário de saturação que se viu entre março e abril.

Sempre será oportuno lembrar que não há alternativa para que consigamos superar essa pandemia que não a vacinação – no que o Brasil tem se saído tristemente mal: para uma campanha iniciada em 17 de janeiro, só se conseguiu até este momento vacinar 12,84% da população com as duas doses. São pouco mais de 20,6 milhões pessoas. Com a primeira dose, a média ficou pouco abaixo de 460 mil por dia, e com a segunda, de 180 mil por dia, entre os dias 13 e 19 deste mês. Nesse ritmo, a vacinação contra covid-19 no Brasil pode demorar quase dois anos. Nos Estados Unidos, essa marca diária já chegou a 1,8 milhão de pessoas por dia (e no início de abril chegou a passar de 3 milhões).

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A terceira onda atingiu países como França, Itália e Polônia – todos eles marcados por uma demora no avanço da vacinação, e em alguns deles houve medidas restritivas muito mais rígidas e organizadas que as adotadas em algumas partes do Brasil. A demora em fazer avançar a imunização prolonga o peso sobre o desempenho do país em educação e economia: mais tempo se levará para recuperar o tempo que já se perdeu nas escolas e mais dura será a retomada para empresas.

Com a chegada do frio e a permanência de mais pessoas dentro de casa ou em outros espaços, mais importante se faz observar o uso de máscaras, a higienização constante das mãos e, na medida do possível, o distanciamento. A terceira onda da doença, mais do que uma mera representação estatística, pode ser o agravamento de uma tragédia cujo fim – ou ao menos o controle – só se vai ver quando a velocidade da vacinação for muito superior ao que se vê hoje no país.

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