Ação da PF e aceno de Lula alimentam pressão por desistência de Ciro
Com manifestação de apoio após ação policial, ex-presidente abre uma porta para se reaproximar do pedetista
A Operação da Polícia Federal que atingiu ontem o ex-ministro Ciro Gomes e seu irmão Cid Gomes virou uma espécie de anabolizante das pressões para o pedetista avalie se retirar da corrida presidencial. Embora a ação da PF em si seja tratada internamente como uma “violência” contra o pré-candidato do PDT, um fator amarrou de vez o cenário favorável à desistência: o aceno feito a Ciro pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula e Ciro estavam rompidos desde 2018. O pedetista cansou de dizer que não queria mais saber de aparecer na foto ao lado do ex-presidente, chegou a descrevê-lo como o “maior corruptor da história brasileira”. Mas eleições costumam ter um efeito impressionante em aliviar mágoas. E, em 2020, os dois se encontraram, selaram uma espécie de trégua. Passada a corrida municipal, as referências a Lula como “canalha” voltaram a aparecer em entrevistas do pedetista.
Um político com bom trânsito junto aos dois presidenciáveis avalia, em conversa com esta colunista, que a situação de Ciro é “dramática”. Seus votos à esquerda migraram para Lula. E a aproximação do petista com Geraldo Alckmin, que acaba de deixar o PSDB, contribui para levar também parte dos votos mais ao centro que foram dados a Ciro em 2018.
Quem acompanha Lula sabe que ele é, acima de tudo, pragmático. Não há mágoa que resista à ideia de fortalecer o cenário de uma vitória no primeiro turno. E o capital eleitoral de Ciro, embora pareça pequeno nas pesquisas, não é de se desprezar.
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