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A eleição multibilionária já começou e quem paga a conta é você

Como as negociações com marqueteiros reforçam a escalada dos custos da eleição presidencial e minam cada vez mais candidaturas de centro

Por Clarissa Oliveira 4 abr 2022, 11h36

Os escândalos de corrupção que assolaram o Brasil nas últimas décadas pavimentaram a adoção do financiamento público para bancar o grosso das campanhas eleitorais. A defesa desse modelo sempre veio acompanhada – pelo menos no discurso – de um argumento: o de que financiar uma eleição com dinheiro público permitiria baratear o custo total do processo. Ao mesmo tempo, isso reduziria a influência do setor privado no processo e aliviaria drasticamente os riscos de desvio de dinheiro e caixa dois. Tudo muito bonito na teoria.

+Leia também: Pesquisa Datafolha joga água na grande aposta de Bolsonaro para a eleição

O esfacelamento do mito do barateamento das campanhas já esmurrou a porta dos brasileiros poucos meses atrás, com a aprovação do fundão eleitoral de quase R$ 5 bilhões para bancar a corrida às urnas neste ano. Agora, essa realidade fica ainda mais evidente diante das primeiras negociações conduzidas pelas campanhas presidenciais para a largada oficial da disputa. Sim, essa conta poderia ser muito maior em dinheiro e custo político, se ainda fosse paga por grandes empresas interessadas em influenciar o processo e os governos futuros. Mas o que se observa até agora é que os números seguem em escalada.

Uma reportagem publicada pelo jornal O Globo do último domingo e que deixou a cúpula petista em polvorosa é só um exemplo disso. O repórter Sérgio Roxo narrou a crise interna que se formou dentro do partido, diante da fatura apresentada pelo marqueteiro escolhido para cuidar da imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma conta de mais de R$ 40 milhões para o primeiro turno. Na outra ponta da negociação, estava o marqueteiro Augusto Fonseca, indicado pelo ex-ministro Franklin Martins e atual cabeça da estratégia de comunicação da pré-campanha petista.

Quando esta colunista ainda trabalhava como repórter cobrindo o mesmo PT de Lula, João Santana era a grande estrela dos marqueteiros políticos. Cobrava mais que todos os seus pares e o argumento de quem pagava a conta era que o investimento valia cada centavo. João Santana foi preso, viu suas contas esmiuçadas na Operação Lava Jato. Mas o passe segue nas alturas. Recrutado para cuidar da imagem de Ciro Gomes (PDT) ainda na pré-campanha, Santana garantiu ainda no ano passado um contrato com valor de R$ 250 mil ao mês. Antes mesmo que se começasse a discutir o custo da campanha presidencial.

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A corrida por marqueteiros continua. Mas, a sete meses da ida às urnas, muito do que se observa nos bastidores da corrida presidencial tem esse dinheiro como pano de fundo. Cada milhãozinho em dinheiro público a mais numa campanha presidencial é um milhãozinho a menos para os candidatos aos demais cargos eletivos. A pergunta que alimenta as brigas em muitas das legendas de centro é: será que vale a pena gastar com um candidato a presidente que não decola nas pesquisas, dado o atual cenário de polarização da eleição presidencial? Muita gente acha que não. 

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Grande parte das pressões enfrentadas pelos presidenciáveis da chamada terceira via está no fato de os candidatos a outras vagas torcerem o nariz para a ideia de dividir o bolo. Isso aconteceu no Podemos, agora ex-partido de Sergio Moro. Acontece no União Brasil, novo partido do ex-ministro da Justiça. No PSD de Gilberto Kassab. No PMDB de Simone Tebet. E até no PSDB de João Doria, apesar de toda a tradição do tucanato em estar representado na disputa pela Presidência da República.

A eleição de Jair Bolsonaro em 2018 até contribuiu para levantar questionamentos sobre até que ponto a conta valia a pena. Afinal, Bolsonaro gastou pouco, se elegeu sem a estrutura tradicional das campanhas eleitorais e teve nas redes sociais uma ferramenta poderosa. Mas, se até ele ja se rendeu ao marketing político tradicional, a conta só tende a aumentar.

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