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Cidades sem Fronteiras Por Mariana Barros A cada mês, cinco milhões de pessoas trocam o campo pelo asfalto. Ao final do século seremos a única espécie totalmente urbana do planeta. Conheça aqui os desafios dessa histórica transformação.

Eleito melhor do mundo, arquiteto construiu casas populares por 7.500 dólares cada uma

Conjunto habitacional é obra-prima do chileno Alejandro Aravena, vencedor do Pritzker

Por Mariana Barros Atualizado em 30 jul 2020, 23h43 - Publicado em 14 jan 2016, 11h05
O arquiteto chileno Alejandro Aravena, vencedor do Pritzker deste ano

O arquiteto chileno Alejandro Aravena, vencedor do Pritzker deste ano

O júri do prêmio Pritzker, equivalente ao Nobel da arquitetura, mais uma vez escolheu como vencedor um profissional sensível aos grandes problemas atuais. O nome do chileno Alejandro Aravena, anunciado ontem, manteve a tendência que fez o japonês Shigeru Ban vencer a premiação em 2014, com construções para refugiados feitas com rolo de papelão, e o alemão Frei Otto ser eleito no ano passado, pela criação de estruturas metálicas orientadas pela preocupação ambiental.

A valorização da arquitetura cidadã que vem marcando o Pritzker é um contraponto aos starchitects, a geração que ganhou fama ao criar obras monumentais e foi extremamente valorizada na virada do século 21. Agora que a pobreza e as mudanças climáticas emergiram como pautas fundamentais para a sobrevivência de milhões de pessoas, construções complexas e caríssimas deixaram de serem vistas como glamourosas e passaram a ser criticadas pelo desperdício de dinheiro e pouca integração com os locais onde estão erguidas.

Profissionais dispostos a atender os mais carentes e buscar maneiras de preservar o ambiente tornaram-se os mais visados nesta nova fase da arquitetura mundial. No caso de Aravena, sua obra-prima é o conjunto habitacional Quinta Monroy em Iquique, construído no Chile e concluído em 2004. O custo de cada unidade foi de 7.500 dólares, vendidas para pessoas de baixa renda. Desde então, Aravena entregou mais de 2.500 unidades de habitação social e passou a contribuir para a discussão de grandes temas por meio de seu escritório e centro de estudos Elemental. É possível conhecer mais sobre os projetos dele aqui.

Conjunto habitacional Quinta Monroy, primeiro de uma série concebidos por Aravena

Conjunto habitacional Quinta Monroy, primeiro de uma série concebidos por Aravena

Criado em 2000, ano em que Aravena se tornou professor visitante de Universidade Harvard, o Elemental valeu-se de uma parceria entre o arquiteto, a Universidad Católica de Chile, onde Aravena graduou-se, e a empresa petrolífera chilena Copec. O modelo bem-sucedido atesta que é possível e desejável combinar pesquisa, investimento e preocupação social.

A escolha do chileno pelo júri do Pritzker traz ainda outra novidade, a valorização de jovens profissionais que ainda têm muito a contribuir para a arquitetura. Inicialmente, o prêmio era reconhecimento pela trajetória e obra da vida inteira de grandes arquitetos. Com Aravena vencendo aos 48 anos, o Pritzker pode ser interpretado como um selo de qualidade concedido aos arquitetos que estão trilhando o caminho certo.

Por Mariana Barros

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