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“Parem de dizer que somos escravos”, pede líder dos bolivianos em São Paulo

Por Leandro Narloch
Atualizado em 31 jul 2020, 01h07 - Publicado em 19 jun 2015, 13h45
luiz vasquez

Para Luiz Vásquez, as operações contra o trabalho escravo atrapalham os bolivianos. Crédito: Danilo Verpa/Folhapress

 

Conversei na semana passada com o boliviano Luis Vásquez, 43 anos, há 12 no Brasil. Presidente da Associação de Empreendedores Bolivianos da rua Coimbra (Assempbol), Vásquez organiza a feira da rua da comunidade e representa os bolivianos no Conselho Participativo Municipal. Na conversa, ele insiste: “se for fazer reportagem, por favor, diga que ninguém aqui se considera escravo”.

O Ministério Público do Trabalho encontra com frequência bolivianos em ‘trabalho análogo à escravidão’ nas oficinas de costura. É trabalho escravo mesmo?

Não, de forma alguma. A polícia aparece, faz todo um espetáculo, jornalistas tiram fotos e dizem a polícia libertou bolivianos do trabalho escravo. Mas ninguém aqui acha que é escravo. Ninguém está sendo forçado a trabalhar. Os bolivianos podem sair do trabalho quando quiserem. A imprensa não entende isso.

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Mas as condições de trabalho não são boas.

É verdade, mas são muito melhores que na Bolívia. As pessoas que vem para cá saem de regiões muito pobres da Bolívia. Quando chegam, só querem trabalhar. Algumas oficinas tentaram contratar por CLT, com 8 horas de trabalho. Mas os bolivianos acham ruim – preferem ganhar por produção. Estão no Brasil para ganhar dinheiro – não veem sentido em ficar cinco, seis horas sem nada pra fazer. Além disso, o patrão não tem obrigação de bancar a moradia dos costureiros. Eles dormem no trabalho porque é mais barato, pois economizam o aluguel e o transporte. Claro que há problemas, mas estão confundido irregularidade trabalhista com trabalho escravo.

As oficinas não poderiam pagar mais aos costureiros?

As oficinas são tão vítimas quanto os costureiros. Ter uma oficina, hoje, é um mau negócio. As margens são muito pequenas. O problema todo é o baixo preço que as grandes lojas pagam. É a oferta e procura – tem muita oficina, muito costureiro para pouco serviço. As lojas se aproveitam disso. Quem quer nos ajudar deveria contribuir para a capacitação dos costureiros e das oficinas. Assim, o pessoal poderia cobrar mais pelo serviço.

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As operações contra o trabalho escravo atrapalham ou ajudam os bolivianos?

Prejudicam demais. Quando a Polícia Federal aparece, dá a impressão que vai prender o Fernandinho Beira-Mar. Um monte de viaturas e policiais para prender o coitado do dono da oficina. Ele é multado por tudo o que você imagina. Essa história tem levado muitos empreendedores à falência. Quando a polícia vai embora, os bolivianos vão para outras oficinas onde a condição é a mesma. É um show montado para dar notícia.

 

@lnarloch

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