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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Valentina de Botas: O jeca insulta o país com outra canalhice do arsenal inesgotável

VALENTINA DE BOTAS “Completamente nua, me pediram para abrir as pernas várias vezes e me revistaram. Até o absorvente me foi tirado. Com a mãe de Leopoldo fizeram o mesmo, e no recinto com ela estavam meus filhos, Manuela e Leopoldo Santiago, que viram tudo”. A própria existência do tal manifesto dos advogados o desmoraliza: […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 30 jul 2020, 23h41 - Publicado em 21 jan 2016, 15h16

VALENTINA DE BOTAS

“Completamente nua, me pediram para abrir as pernas várias vezes e me revistaram. Até o absorvente me foi tirado. Com a mãe de Leopoldo fizeram o mesmo, e no recinto com ela estavam meus filhos, Manuela e Leopoldo Santiago, que viram tudo”. A própria existência do tal manifesto dos advogados o desmoraliza: se a Lava Jato e o juiz Sérgio Moro fossem exterminadores do estado de direito e das garantias individuais, submetendo os clientes da banca estrelada a torturas e procedimentos piores do que os da ditadura militar conforme Técio Lins e Silva, os doutores sequer poderiam divulgar o manifesto calhorda.

Eles sabem disso, mas o cinismo é a hermenêutica da súcia e simpatizantes, ou não seriam súcia e simpatizantes. Dona Antonieta Mendoza, mãe de Leopoldo López, soube o que é um regime torpe quando o filho inocente foi condenado sem provas e submetido, na cadeia, a um cotidiano degradante. Descobriu que tudo pode ser ainda mais sórdido quando foi despida diante dos netos para uma revista grotesca na prisão de Ramo Verde, na visita a López no último fim de semana. Manuela tem 6 anos e o irmãozinho, 3; é evidente que ambos também foram submetidos a maus-tratos presenciando tudo, estratégia proposital para ampliar o sofrimento da avó e da mãe.

Exercitando a demagogia de gênero, outra canalhice do arsenal inesgotável, o jeca de mentalidade antirrepublicana excretou a ideia segundo a qual Dilma Rousseff deveria ser mais bem tratada por ser mulher. Ora, governantes homens ou mulheres não devem ser nem bem nem maltratados, mas criticados para o bem dos governados. O esforço do bando em salvar o mandato de Dilma lembra aqueles programas do canal Discovery em que se vê o escarabeídeo, conhecido pelo esforço descomunal a que só o instinto capacita, rolar até a toca uma imensa esfera de excrementos com que alimentará a si e às respectivas larvas.

A bolota repugnante é o princípio fundante e a verdade dele. Inferior, em instinto e habilidade, Dilma rola o mandato natimorto fazendo disso a verdade dela apoiada no ludibrio mais deslavado: ou não sabia de nada ou nada fez de errado. Sem largar a bolota essencial, paralisa o país que segue num rumo desgraçado sob a nefasta soma de roubalheira e inépcia. Lilian Tintori e Antonieta Mendoza, sim, foram maltratadas daquela forma porque mulheres e porque López é um crítico da ideologia medonha que o jeca exalta, nessa coisa de pele que ele tem com regimes imundos.

Buscando um regime de exceção, a banca estrelada o acharia no país vizinho; da mesma forma, o jeca poderia reconhecer nas duas venezuelanas os maus-tratos que inventa na presidente. Por sua vez, Dilma Rousseff não precisaria ser mulher, mas apenas decente para repudiar as atitudes de Maduro. Acontece que ela não passa de uma criatura rolando o mandato para nutrir uma súcia. Como os brasileiros que prestam, Lilian Tintori não conta com o governo brasileiro e denunciou à OEA o que se passou em Ramo Verde.

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