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Valentina de Botas: Eles não têm cura

Não tenho culpa, disse Solange a Carlinhos na confissão do adultério incessante. Amava o marido e eram felicíssimos. Então, em 90 minutos de filme, entregou-se “sem ser ela mesma” e sem culpas, de modo quase maquinal, a dezenas de homens, incluindo o amigo de infância do casal e o sogro que tinha “a dignidade de […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 30 jul 2020, 23h56 - Publicado em 6 dez 2015, 19h48

Não tenho culpa, disse Solange a Carlinhos na confissão do adultério incessante. Amava o marido e eram felicíssimos. Então, em 90 minutos de filme, entregou-se “sem ser ela mesma” e sem culpas, de modo quase maquinal, a dezenas de homens, incluindo o amigo de infância do casal e o sogro que tinha “a dignidade de uma estátua”. Bem vivida por uma deslumbrante Sônia Braga, a dama colhia os outros amantes no lotação, sempre com a carne no cio e a alma casta na certeza da inocência.

O conto de concisão brutal foi expandido por Neville de Almeida no filme de que me lembrei quando Dilma recitou que “não cometi nenhum ilícito” e anunciando a tática de sobrevivência do governo: o acolhimento da denúncia do impeachment é uma disputa entre a alma pura de Dilma Rousseff e a alma em danação de Cunha. Como só a farsa interessa aos farsantes, o embuste prossegue na gritaria inútil dos fanáticos acusando golpe, ruptura institucional, complô da direita, falta de provas e que impeachment é machismo.

Ora, o tal golpe é previsto na Constituição; ruptura institucional é o que tenta cotidianamente o lulopetismo no aparelhamento das instituições e no aluguel das consciências que as integram; o complô da direita animou a Bolsa e acalmou o dólar só em adivinhar o aroma de um governo sem Dilma; o TCU comprovou alguns dos crimes da presidente que ensejam o impeachment; e o machismo também vitimou Collor, aquele mulherão.

Pela sobriedade remanescente no país exangue, Eduardo Cunha não é dono da aceitação da denúncia nem de nenhum outro dispositivo legal; ninguém é. Como o resto do bando que fantasia grandes e pequenos pixulecos enquanto submete a nação, Cunha não pensou no país. E daí? Não é a pessoa, mas a posição institucional o que lhe concede atribuições específicas não invalidadas por interesses pessoais.

Outra verdade rejeitada pelo regime que se vê além das leis de tal forma que promoveu Cunha a interlocutor quando o deputado desceu à altura em delinquências. Fora o escárnio lulopetista de operar o petrolão durante o julgamento do mensalão e o desassombro priápico na vigência da Lava Jato. Golpe é isso e, por exemplo, o surto de microcefalia e o de redações com nota zero no Enem; complô é o derretimento da economia na intersecção de imbecilidade com roubalheira.

Dilma, diferentemente das personagens femininas de Nelson Rodrigues, é desimportante – um poste que o jeca alçou à condição de guardião da cadeirona, útil apenas enquanto possa guardá-la –, mas a alegação psicopata de inocência na continuidade industrial de crimes me fez pensar na adúltera rodrigueana mais famosa, a neurótica que expiava a hipocrisia de um mundo patologicamente oprimido e opressor em convenções fertilizantes de pecados.

Ao fundo da lenga-lenga calhorda de Dilma e da gritaria delinquente dos fanáticos, estrondam os arquejos repulsivos dos lulopetistas resfolegantes pecando religiosamente. Eles não têm cura e só a marcha do Brasil que presta pode lhes garantir o castigo merecido.

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