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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O procurador deveria procurar os vigaristas e ladrões que agem fora do dicionário

Procurador da República em Uberlândia, o doutor Cléber Eustáquio Neves solicitou à Justiça a imediata retirada de circulação do dicionário Houaiss, com a seguinte argumentação: “Ao se ler em um dicionário, por sinal extremamente bem conceituado, que a nomenclatura cigano significa aquele que trapaceia, velhaco, entre outras coisas do gênero, ainda que se deixe expresso […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 09h27 - Publicado em 28 fev 2012, 01h22

Procurador da República em Uberlândia, o doutor Cléber Eustáquio Neves solicitou à Justiça a imediata retirada de circulação do dicionário Houaiss, com a seguinte argumentação:

“Ao se ler em um dicionário, por sinal extremamente bem conceituado, que a nomenclatura cigano significa aquele que trapaceia, velhaco, entre outras coisas do gênero, ainda que se deixe expresso que é uma linguagem pejorativa, ou que se trata de acepções carregadas de preconceito ou xenofobia, fica claro o caráter discriminatório assumido pela publicação. Trata-se de um dicionário. Ninguém duvida da veracidade do que ali encontra. Sequer questiona. Aquele sentido, extremamente pejorativo, será internalizado, levando à formação de uma postura interna pré-concebida em relação a uma etnia que deveria, por força de lei, ser respeitada”.

Três observações:

Primeira: a idiotia epidêmica que devasta os três Poderes anda fazendo estragos de bom tamanho também no Ministério Público.

Segunda: o doutor não acredita que dicionários apenas registram o que o povo diz. Acha que o povo só diz o que aprendeu no dicionário. Principalmente o povo brasileiro, que, como todo mundo sabe, começa a ler o Houaiss ainda no berço.

Terceira: com tantos vigaristas e ladrões agindo impunemente fora do dicionário, o procurador resolveu procurar trapaceiros e velhacos confinados em verbetes.

No Brasil afundado na Era da Mediocridade, não há limites para a cretinice.

 

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