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O golpe do Itaquerão: podem chamar a isenção fiscal de ‘desperdício oportunista do dinheiro dos outros’ que ela atende

Em 30 de outubro de 2007, quando a FIFA anunciou o nome do anfitrião da Copa do Mundo de 2014, o cartola Ricardo Teixeira caprichou na pose de presidente do País do Futebol para tranquilizar a torcida brasileira. “Faço questão absoluta de garantir que o poder público nada gastará em atividades desportivas”, repetiu o chefe […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 11h29 - Publicado em 29 jun 2011, 23h19

Em 30 de outubro de 2007, quando a FIFA anunciou o nome do anfitrião da Copa do Mundo de 2014, o cartola Ricardo Teixeira caprichou na pose de presidente do País do Futebol para tranquilizar a torcida brasileira. “Faço questão absoluta de garantir que o poder público nada gastará em atividades desportivas”, repetiu o chefe perpétuo da CBF em Zurique. De volta ao Brasil, passou a conspirar em tempo integral para impedir que o estádio do Morumbi abrigasse o jogo de abertura da competição. Em seguida, passou a exigir do governo estadual e da prefeitura da capital a construção de um novo elefante branco.

Em junho de 2010, em sucessivas entrevistas (veja o vídeo abaixo), Lula ressuscitou a candidatura do campo do São Paulo, que Ricardo Teixeira vetara para castigar a diretoria do clube e instalar outro portentoso canteiro de obras e lucros. “O Brasil não tem o direito de ter um estádio como o Morumbi e inventar que ele não serve e tentar fazer um estádio novo só para a Copa do Mundo”, disse à ESPN no dia 7. “Vamos parar com esse negócio de achar que não tem área de estacionamento, não tem área pra isso, não tem área pra aquilo (… ). O estádio está pronto. É só fazer algumas modificações e torná-lo pronto para a Copa do Mundo”.

Mudou de ideia em julho, durante a viagem à Africa do Sul. Em conversas reservadas, combinou com o presidente do Corinthians, Andres Sanches, que a Copa começaria no Itaquerão. O companheiro não precisava preocupar-se com dinheiro: o BNDES financiaria a gastança. Nem procurar alguma empreiteira que topasse embarcar na aventura: Lula já se entendera com a Odebrecht, que cuidaria de concluir a edificação da arena no prazo estabelecido pela FIFA. Também poderia contar com a ajuda do governo paulista e da prefeitura paulistana. O próprio presidente trataria de cobrar dos adversários paulistas os investimentos necessários para que o mais poderoso estado brasileiro não ficasse fora da Copa.

No mês seguinte, o governador Alberto Goldman resolveu deixar claro que ainda existem políticos altivos. Numa reunião no Palácio dos Bandeirantes, Gold8uman disse a Ricardo Teixeira e ao ministro Orlando Silva, em agosto de 2010, o que os dois comparsas mereciam ouvir havia muito tempo: se não aceitassem o Morumbi reformado, que transferissem o jogo de abertura para outra freguesia. “Existem prioridades bem mais relevantes a atender”, resumiu Goldman. A seu lado, Gilberto Kassab concordou. O governo e a prefeitura, avisaram os anfitriões, seguiriam investindo em obras de infra-estrutura. Mas não gastariam um centavo com campos de futebol.

Ao mudar de partido, Kassab mudou também de ideia. Nesta quarta-feira, os vereadores autorizaram o prefeito a enterrar no Itaquerão R$420 milhões. Em burocratês, o nome da esperteza é “isenção fiscal”. Podem chamá-la de “desperdício oportunista do dinheiro dos outros” que ela atende. Ansioso por aderir à aliança governista, Kassab está cada vez mais parecido com os parceiros. Talvez consiga ver o começo da Copa no Itaquerão. Mas talvez veja antes disso o fim da carreira. Brasileiros já não se espantam com políticos que traem. Mas bancar a conta da traição parece excessivo até para os padrões da Era da Mediocridade.

O prefeito perdulário acha que terá os votos de todos os integrantes da Fiel. Os torcedores logo vão descobrir que a gastança é financiada pelos impostos que pagam. O dinheiro para o Itaquerão sairá também dos bolsos dos corintianos.

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