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O destino da cubana refugiada no Congresso dirá se o Brasil é uma nação democrática ou já virou sucursal de uma ilha-presídio

PUBLICADO EM 05 DE FEVEREIRO Em 23 de agosto de 2013, Luis Inácio Adams, chefe da Advocacia Geral da União, negou enfaticamente que a importação de jalecos cubanos poderia entrar em colisão frontal com a Lei Áurea. “Não há que se falar em trabalho escravo, como tentou se estabelecer”, discursou o advogado-geral do programa Mais […]

Por Augusto Nunes
Atualizado em 31 jul 2020, 02h23 - Publicado em 6 jan 2015, 11h29

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PUBLICADO EM 05 DE FEVEREIRO

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A cubana Ramona Matos Rodríguez (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Em 23 de agosto de 2013, Luis Inácio Adams, chefe da Advocacia Geral da União, negou enfaticamente que a importação de jalecos cubanos poderia entrar em colisão frontal com a Lei Áurea. “Não há que se falar em trabalho escravo, como tentou se estabelecer”, discursou o advogado-geral do programa Mais Médicos. “Quando o médico cubano sai de seu país, ele recebe uma suplementação a mais por essa saída”, prosseguiram os pontapés na verdade e na língua portuguesa. “Quando ele chega ao Brasil, ele recebe uma parte da contraprestação que o Brasil dá a Cuba. Parte é destinado ao médico e parte destinado ao estado cubano”.

Adams também garantiu que a ideia de escapar do regime liberticida nem passava pela cabeça de qualquer doutor nascido e criado sob o jugo dos Irmãos Castro. “Eles vêm como profissionais, são participantes de um programa”, recitou o chefe da AGU. E se algum deles resolvesse desertar e pedir asilo ao governo brasileiro?, insistiu um jornalista. A resposta veio embrulhada em dilmês de botequim: “Se essa hipótese, que acho que não deve acontecer, mas se vier a acontecer, será tratada pelo Brasil no âmbito do tratado internacional que ele tem com os demais países.  São pessoas que vieram em cima de um acordo, de um programa. Me parece que eles são detentores dessa condição de permanência”.

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Confusos com o falatório trôpego, outros repórteres foram direto ao ponto: se quisesse, um médico cubano poderia refugiar-se no Brasil? “Todos os tratados, quando se trata de asilo, consideram situações que configurem ameaça por razões ordem política, de crença religiosa ou outra razão”, escorregou o advogado do Planalto. “É nessas condições que você analisa as situações de refúgio. E, nesse caso, não me parece que configuraria essa situação”. Tradução: se alguém desertasse, seria deportado para Cuba. “Mas isso não vai acontecer”, reiterou Adams. “Eles vêm em cima de compromissos. Não são pessoas que entraram voluntariamente no país, fugindo”.

Passados cinco meses, a cubana Ramona Matos Rodríguez, 51 anos, aguarda num gabinete do Congresso a resposta ao pedido de asilo encaminhado à embaixada dos Estados Unidos. É só o primeiro grito que vem das gargantas sufocadas. É apenas o começo. O contrato que Ramona exibiu já desmoralizou a conversa fiada de Adams ─ e comprovou que, com o programa Mais Médicos, o agora ex-ministro Alexandre Padilha se tornou o avesso da Princesa Isabel. O comportamento do governo no episódio dirá se o Brasil ainda é uma nação democrática e soberana ou se o PT acredita que administra a sucursal de uma ilha-presídio.

Em 2007, os pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux foram deportados para Cuba pelo companheiro Tarso Genro, então ministro da Justiça. Os brasileiros decentes têm o dever de impedir a reprise da infâmia. O governo precisa saber que está obrigado a conceder a Ramona o status de refugiada — e protegê-la até que esteja livre para sempre dos mercadores de gente.

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