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Augusto Nunes

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O castigo veio a cavalo e surpreendeu a presidente arrogante e pernóstica

ANTONIO VIEIRA Dias atrás, dona Dilma se propôs o desafio de censurar os críticos que verberam seu desgoverno. Sacou do fundo do baú a imagem do velho do Restelo, personagem dos Lusíadas que representa, no poema, o chamado, à razão e à cautela, próprio de quem tem responsabilidade sobre suas decisões, ponderando seus impactos para […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 05h57 - Publicado em 20 jun 2013, 18h13

ANTONIO VIEIRA

Dias atrás, dona Dilma se propôs o desafio de censurar os críticos que verberam seu desgoverno. Sacou do fundo do baú a imagem do velho do Restelo, personagem dos Lusíadas que representa, no poema, o chamado, à razão e à cautela, próprio de quem tem responsabilidade sobre suas decisões, ponderando seus impactos para os potenciais atingidos. Não é este o caso de dona Dilma, evidentemente, pelo que se depreende de seu comportamento errático e leviano, quer no plano interno quer no plano internacional. Os alertas contra os riscos e custos da aventura portuguesa na conquista das Índias foram comparados, por ela, aos justos questionamentos que vêm se acumulando contra a maneira brasileira de fazer política na última década ─ vale dizer, o famigerado modelo lulopetista ─ que incorporou ao seu núcleo dirigente todos os patifes vivos da república.

Arrogante e pernóstica, a presidente quis associar a epopeia daqueles navegadores audazes com a medíocre obra de seu desgoverno, como se os seus críticos não passassem de uma paródia grosseira de ressentidos imitadores do velho do Restelo. O castigo, no entanto, veio a cavalo. Na primeira semana da Copa das Federações, a voz rouca das ruas fez dona Dilma engolir suas palavras. Frente às vaias e protestos populares, a madame revelou na inteireza sua real estatura, muito distante da aparência construída pelas falsidades e engôdos vendidos pela propaganda oficial. Retirados as sedas e os arminhos virtuais de super-executiva que lhe enfeitavam o corpanzil, restou a indumentária que, de fato, constitui sua personalidade: a de gerente que não conseguiu administrar uma lojinha de bugigangas de R,99 ─ levada à falência pouco tempo após a inauguração em Porto Alegre ─ mas que tem a pretensão de governar um país.

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Pois bem. Não dispondo de capacidade própria nem de interlocutores que a ajudassem a enfrentar a crise posta no seu colo (sua equipe de palacianos se presta apenas à mera bajulação), restou-lhe fugir do seu palácio, às pressas e quase anônima, para dar um pulo a São Paulo e receber as devidas ordens do verdadeiro criador do quadro que se instituiu no país: o co-presidente Lula da Silva. O triste papel de dona Dilma, no entanto, merece ─ conceda-se, em vista do precedente ─ ser lido sob a ótica camoniana. No famoso episódio Inês de Castro consta o verso imortal ─ “o fraco rei faz fraca a forte gente” ─ antecipação profética em alguns séculos da presente situação nacional. Ao sair sorrateira de Brasília, para encontro com o co-presidente numa saleta escondida nos fundos do aeroporto de Congonhas, a presidente Dilma mostrou aos brasileiros que lhe faltam as condições de liderança para arrostar as adversidades.

A paralisia e incompetência do governo da república, de fato, são perfeitamente visíveis. Qual uma biruta de aeroporto, não sabe ela nem o que fazer nem para onde ir. Fecha-se em copas, a rainha das copas, reduzindo o ato de governar à distribuição de adjutórios (estatizando a esmola, como queria o Conde de Abranhos) e, até mesmo, presenteando com gordas gratificações aos amigos afortunados, tudo bancado pelos impostos dos que efetivamente trabalham e produzem: bolsa vovô, bolsa vovó, bolsa bebê, bolsa sofá, bolsa ditadura, bolsa ditadores, bolsa sobas africanos, bolsa terrorista e outras bolsas mais de nomes impublicáveis e inimagináveis.

O governo Dilma não governa, vive de declarações de intenções: vai construir isso e aquilo; vai providenciar tais e quais medidas; vai melhorar esse ou aquele serviço público etc. Sua forma de atuar é a de sempre prometer algo, numa antecipação imaginária do futuro, vivenciado no presente como se já estivesse concretizado: pura paranoia. O governo só pensa naquilo: as próximas eleições! Ministros e outros subalternos estão mais preocupados com conchavos visando 2014 do que em resolver os problemas sob suas responsabilidades.

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No bojo da presente crise que assola as grandes cidades chega ao auge do ridículo, para não dizer da loucura, os ministros pretendentes se digladiando sobre quem vai ser candidato ao governo de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e demais estados, certamente pela absoluta falta do que fazer de mais útil em suas respectivas pastas. Nisso, ao menos, guardam coerência e fidelidade às posturas da presidente que, também, só age movida pelo mais reles espírito eleitoreiro.

A verdade pura e simples é que grande parte da população se encheu de, entre inúmeras causas, ver tantas obras inúteis e faraônicas (em vez daquelas necessárias à sociedade, que nunca se concretizam), fontes previsíveis de futuras contribuições de empreiteiros para o custeio de campanhas governamentais. Desmandos, preguiça, burrice e corrupção em todos os setores configuram o ambiente social e político que manifestantes estão a questionar com razões mais que suficientes, numa mescla de motivações e métodos nem sempre os mais desejáveis e democráticos. Parece uma rebelião tribal gerando um efeito de massa, um fenômeno da pós-modernidade.

Vistosas e caríssimas propagandas marteladas, maciça e diuturnamente, pelos meios de comunicação não conseguiram, contudo, abafar nem a verdade nem a realidade que assola o povo brasileiro. Dona Dilma vai insistir, até o fim, nas promessas demagógicas de casa, mobília, comida, roupa lavada, passada e engomada aos desvalidos; não tem como fugir do figurino. O Brasil, entretanto, está à espera de quem tenha a coragem de, à semelhança de Churchill, estabelecer uma relação de confiança com os cidadãos, mesmo que seja prometendo sangue, suor e lágrimas para sair do buraco em que o lulopetismo nos jogou.

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