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Por Coluna
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Haddad só conseguirá escapar da vaia se aparecer no teatro disfarçado de FHC

Testemunhei quatro vezes a cena reprisada a cada aparição de Fernando Henrique Cardoso num teatro. Alertada pelo zumzum que anuncia a chegada de gente incomum, a plateia se junta primeiro no movimento de rotação do pescoço e, depois de feito o reconhecimento, na salva de palmas endereçada ao ex-presidente. Não é pouca coisa. Insultado há […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 01h14 - Publicado em 3 jun 2015, 15h08

Testemunhei quatro vezes a cena reprisada a cada aparição de Fernando Henrique Cardoso num teatro. Alertada pelo zumzum que anuncia a chegada de gente incomum, a plateia se junta primeiro no movimento de rotação do pescoço e, depois de feito o reconhecimento, na salva de palmas endereçada ao ex-presidente. Não é pouca coisa.

Insultado há mais de 12 anos pela seita que o responsabiliza por todos os males passados, presentes e futuros do Brasil, FHC circula por lugares públicos com a tranquilidade de quem não tem motivos para temer o povo ─ e a segurança de quem vive atravessando a pé o Viaduto do Chá, sozinho, sem saber o que é uma chicotada sonora. Nessas caminhadas, é invariavelmente afagado por saudações e agradecimentos sublinhados por sorrisos.

Justificadamente cauteloso, o prefeito Fernando Haddad se mantém longe das ruas desde o começo do mandato. Neste domingo, o maníaco da faixa descobriu que convém guardar distância de quaisquer aglomerações humanas não amestradas. Ele decerto não sabia disso ao aparecer no Theatro Net para assistir a Chaplin, o Musical em companhia do seu secretário de Educação, Gabriel Chalita. Entrou sem ser notado, e já estava de saída quando um dos atores teve a má idéia de louvar a presença da dupla de espectadores ilustres.

A tempestade de apupos confirmou que Haddad é páreo para Dilma Rousseff em qualquer torneio de impopularidade. E a reação do alvo principal do protesto reiterou  que vaia faz mal à cabeça. Grogue com o som da fúria, o ex-ministro da Educação trocou o português pelo dilmês castiço e derrapou no besteirol. “Acho que quando você mistura público com o privado em relação a pessoas eleitas e democráticas, que têm uma trajetória democrática, é uma confusão que me lembra o pior da tradição política”, delirou o vaiado na entrevista à revista Vice.

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O palavrório sugere que duas entidades convivem num mesmo Fernando Haddad. A primeira ocupa o cargo de prefeito e, nos dias úteis, piora a metrópole com o que faz ou pensa entre o começo da manhã e o fim da tarde. Esse Haddad está a salvo de vaias porque só deixa o bunker protegido por agentes de segurança, passa o tempo cercado de áulicos e só discursa para domesticados.

A segunda entidade se materializa nos fins de semana, dias santos e feriados. Esse Haddad não admite ser vaiado porque nada tem a ver com o outro. É apenas um cidadão que faz questão de frequentar teatros sem sobressaltos. Os indignados que aguardem calados a eleição de 2016. Ou solicitem uma audiência aos responsáveis pela agenda e esperem sentados a hora de dizer, olho no olho, o que pensam do pior prefeito da história de São Paulo.

O problema é que a paciência do país que presta acabou. Se quiser ver alguma peça teatral, Haddad precisará disfarçar-se de FHC.

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